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São Paulo

Mensagens revelam que Ivo Kos sabia de irregularidades em operação que virou investigação na CVM

Diálogos obtidos pelo Metrópoles mostram que o empresário Ivo Kos, dono da Virgo, tinha ciência de problemas na operação financeira que desviou recursos de fundos de reserva e é alvo de processo na CVM.

Mensagens de Ivo KosFoto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
20 de outubro de 202602:45
Atualizado agora há pouco às 05:45

Mensagens obtidas com exclusividade pelo portal Metrópoles indicam que o empresário Ivo Kos, de 48 anos, proprietário da securitizadora Virgo, tinha conhecimento de irregularidades em uma operação financeira que posteriormente resultou em um processo administrativo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O caso envolve o desvio de recursos de fundos de reserva de dezenas de emissões para simular a captação de títulos e enganar investidores.

De acordo com o material divulgado, Kos procurou o Banco Master para integrar a operação, que na época tinha caráter lícito. Em uma troca de mensagens com Eduardo Levy, ex-diretor de distribuição da Virgo, o empresário menciona a saída do Master do negócio. «Se quiser o pessoal da EXA fala com ele! Master tá saindo», teria escrito Kos em 15 de maio do ano passado, em referência à gestora Exa Capital Asset. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não é citado nas mensagens.

A operação era estruturada por meio do CRI BTS BH, um certificado de recebíveis imobiliários emitido em um projeto de build-to-suit cuja devedora é a Castelo Byblos Participações S.A. O título, com valor de compra de R$ 130 milhões, fazia parte de um empreendimento total de R$ 390 milhões, destinado à construção de um imóvel para o grupo Oncoclínicas em Belo Horizonte. A Virgo havia assinado contrato garantindo a captação integral dos recursos, mas o mercado considerou o risco elevado, e nenhuma instituição financeira aceitou comprar o papel, incluindo o Banco Master.

A CVM concluiu que houve má-fé e dolo na condução do negócio e recusou propostas de acordo apresentadas pelos investigados: Ivo Kos, Eduardo Levy, Alexandre João da Rocha e a empresa, atualmente denominada Riza Securitizadora. A apuração da autarquia apontou que a tentativa de financiar o empreendimento da Oncoclínicas via mercado de capitais foi frustrada, levando ao cancelamento integral da operação.

O caso foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para desdobramento criminal. Além disso, Ivo Kos responde a uma ação penal por lesão corporal e ameaça contra a esposa, estando preso preventivamente desde 14 de agosto. A reportagem não detalha o teor dessas acusações.

Procurada, a defesa de Ivo Kos não se manifestou até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para esclarecimentos. O Banco Master e a Exa Capital Asset também não foram localizados para comentar o caso.

A investigação da CVM segue em curso, e os envolvidos podem apresentar recursos. A decisão da autarquia é um dos desdobramentos de uma operação que movimentou milhões e envolveu importantes players do mercado financeiro.

O Metrópoles informou que as mensagens foram obtidas com exclusividade e fazem parte do processo que tramita na CVM. A reportagem buscou ouvir todos os citados, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/risco-mamute-veja-mensagens-que-ligam-ivo-kos-a-fraude-na-faria-lima

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