Os conselhos regionais de enfermagem (Coren-SP) e de medicina (Cremesp) de São Paulo abriram procedimentos internos para examinar a atuação das equipes do Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital. A unidade é alvo de inquérito da Polícia Civil que apura a morte de bebês sob suspeita de infecção bacteriana.
A Vigilância Sanitária Municipal também acompanha o caso e realizou, na manhã desta sexta-feira (23), uma fiscalização na UTI neonatal do hospital. As apurações institucionais ganharam força após reportagem do portal Metrópoles revelar a série de óbitos.
Em nota, o Coren-SP afirmou que, «diante de situações de possível infração ética, segue os ritos de apuração e as diretrizes da Resolução Cofen 706/2022», além de reforçar o compromisso com uma assistência de enfermagem segura e sem danos aos pacientes. Já o Cremesp declarou que investiga o caso sob sigilo, conforme determina a legislação.
A Polícia Civil instaurou inquérito para esclarecer as mortes ocorridas ao longo deste ano. Pelo menos seis boletins de ocorrência foram registrados no 8º Distrito Policial (Brás), no centro da capital, e outros dois em delegacias distintas. A reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito de bebês atendidos na unidade em 2026.
Uma advogada que representa os pais das vítimas disse estar em contato com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital, que integra a rede HapVida. O número de mortes, no entanto, pode ser maior do que o inicialmente levantado, segundo a profissional.
«Para todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência. Então todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos», declarou a assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes ao Metrópoles.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os casos, ocorridos em meses anteriores, foram comunicados à polícia na quarta-feira (21). «A autoridade policial realiza diligências, inclusive com as oitivas de profissionais de saúde e testemunhas, análise integral dos prontuários médicos, visando esclarecer as causas das mortes», afirmou a pasta em nota.
Procurada, a rede HapVida, responsável pelo Salvalus, declarou que «os pacientes mencionados apresentaram condições clínicas distintas e de elevada gravidade, tendo cada um deles recebido assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades». A empresa acrescentou que «as condutas terapêuticas foram individualizadas».
As investigações seguem em sigilo e não há conclusão sobre as causas dos óbitos. O hospital continua em funcionamento, e as autoridades sanitárias e policiais devem produzir relatórios técnicos que serão anexados ao inquérito. A reportagem buscará novos posicionamentos dos envolvidos e atualizará as informações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/coren-cremesp-e-vigilancia-sanitaria-apuram-mortes-de-bebes-em-hospital

