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São Paulo

Hospital na Mooca rebate críticas e cita complexidade dos casos de bebês investigados

Após revelação de mortes de bebês por infecções na UTI, Hospital e Maternidade Savalus afirma que pacientes tinham quadro grave e receberam assistência individualizada; Polícia Civil apura o caso.

Fachada do Hospital Salvalus, da rede Notredame IntermédicaFoto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
23 de outubro de 202602:08
Atualizado agora há pouco às 05:08

O Hospital e Maternidade Savalus, localizado no bairro da Mooca, zona leste de São Paulo, divulgou nota nesta sexta-feira (23) na qual classifica como de alta complexidade o atendimento prestado aos bebês que morreram após contrair infecções bacterianas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade. A declaração foi dada em resposta à reportagem que revelou a série de óbitos.

De acordo com o hospital, os pacientes mencionados apresentavam «condições clínicas distintas» e de «elevada gravidade». Cada um deles teria recebido «assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades».

A nota acrescenta que «as condutas terapêuticas foram individualizadas, considerando as necessidades de cada paciente e a evolução de seus quadros clínicos». O Savalus também informou manter um «canal aberto de diálogo» por meio de sua diretoria de acolhimento, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos, «com respeito à privacidade e ao sigilo médico».

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as mortes de bebês por infecções hospitalares na unidade. O 8º Distrito Policial (Brás) investiga seis casos, mas a reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito. Uma advogada que representa as famílias afirma ter contato com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital, que integra a rede HapVida.

Segundo a advogada Eduarda Fragnan Gomes, «pra todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência. Então, todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos». O número total de mortes pode ser significativamente maior do que os casos já contabilizados.

Entre os casos relatados estão o de um bebê que deu entrada com inflamação na garganta e morreu com necrose no pé, o de um recém-nascido que faleceu após paradas cardiorrespiratórias e hemorragia e o de uma criança que teve infecção bacteriana no cérebro. As mortes teriam ocorrido em decorrência de sepse ou choque séptico, além de outras complicações.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou à reportagem que os casos, ocorridos nos meses anteriores, foram comunicados na quarta-feira (21). A reportagem procurou a HapVida e o hospital para obter mais detalhes sobre as investigações e as medidas adotadas, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

O caso levanta questionamentos sobre os protocolos de controle de infecção hospitalar na unidade, que é referência da rede HapVida para atendimentos de alta complexidade na região. A investigação policial busca esclarecer as circunstâncias das mortes e eventuais responsabilidades.

As famílias das vítimas aguardam respostas e o desenrolar do inquérito. A advogada que as representa reforça a necessidade de apuração rigorosa e de transparência por parte do hospital e da operadora de saúde.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sp-alta-complexidade-justifica-hospital-investigado-por-mortes-de-bebes

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