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São Paulo

Mãe relata infecção hospitalar e cobra respostas após morte de bebê em unidade da zona leste de SP

Leticia Ferreira afirma que a filha Alice Vitória contraiu a bactéria KPC durante internação no Hospital Salvalus; a Polícia Civil investiga o caso e a rede HapVida diz que prestou assistência.

“Nunca mais sai com ela de lá”, diz mãe de bebê morto em hospital em SP. Imagem cedida ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
23 de outubro de 202602:25
Atualizado agora há pouco às 05:25

A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte de bebês que passaram pelo Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital. Entre os casos está o de Alice Vitória de Andrade Reis, que faleceu em 3 de abril deste ano, quatro dias após completar 1 ano de idade.

A mãe da criança, a assistente social Leticia Ferreira, de 29 anos, afirma que a filha contraiu a bactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase) no ambiente hospitalar. Segundo ela, a contaminação ocorreu durante a internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade, onde a bebê permaneceu por cerca de seis meses.

Alice tinha condições de saúde graves, como a síndrome de Dandy-Walker, que afeta o sistema nervoso central, hidrocefalia e comunicação interventricular (CIV), uma cardiopatia congênita. De acordo com Leticia, no entanto, a criança não estava doente quando foi levada ao hospital, em novembro do ano passado, apenas para a troca de uma sonda de alimentação.

«Ela nunca teve uma sentença, não era incompatível com a vida», declarou a mãe ao Metrópoles. Segundo ela, a filha deu entrada para a implantação de uma gastrostomia (GTT), procedimento para administração de alimentos e medicamentos, e foi encaminhada à UTI no mesmo dia, como é habitual nesses casos.

Durante a internação, conforme relato da mãe, Alice sofreu o rompimento da sutura cirúrgica, uma parada cardiorrespiratória e edema pulmonar. Três meses após a entrada no hospital, apresentou sinais de infecção bacteriana no cérebro, o que, segundo Leticia, comprometeu a eficácia dos antibióticos. A certidão de óbito aponta como causas insuficiência respiratória aguda, ventriculite infecciosa, sepse de foco pulmonar, hidrocefalia e síndrome de Dandy-Walker.

A mãe suspeita de contaminação cruzada no ambiente hospitalar e cobra explicações sobre os cuidados prestados à filha. «Eu sequer tinha entendido as violências que minha filha tinha sofrido. Na hora você não vai assimilando», desabafou. «Fomos para uma cirurgia simples e achei que ela voltaria para casa», completou.

Procurada, a rede HapVida, responsável pelo Hospital Salvalus, informou que os pacientes receberam assistência contínua e que as condutas terapêuticas foram individualizadas conforme cada quadro clínico. A empresa não comentou especificamente o caso de Alice, citando o sigilo médico e a investigação em curso.

O inquérito policial busca esclarecer se houve falhas no atendimento e na prevenção de infecções hospitalares na unidade. A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública e o Conselho Regional de Medicina para obter mais informações sobre as apurações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

Casos de infecção por bactérias resistentes em ambientes hospitalares acendem alerta para a importância de protocolos rigorosos de higiene e controle de infecção. Especialistas recomendam que familiares de pacientes internados acompanhem de perto os procedimentos e busquem orientação médica diante de sintomas incomuns.

A morte de Alice Vitória segue sob investigação. A família aguarda respostas e pede que outras situações semelhantes sejam apuradas com transparência. «Nunca mais sai com ela de lá», disse a mãe, referindo-se ao hospital, ao relatar a dor de não ter podido levar a filha para casa.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nunca-mais-sai-com-ela-de-la-diz-mae-de-bebe-morto-em-hospital-em-sp

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