O presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do horário de votação do segundo turno deste domingo (25/10), após relatos de que a frota de ônibus opera abaixo do total determinado pela Justiça Eleitoral em São Paulo e em outros municípios. A informação foi divulgada pela assessoria da campanha.
Em declaração a jornalistas em frente à sua residência, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital paulista, Lula criticou prefeitos, governadores e empresários que, segundo ele, estariam dificultando o acesso dos eleitores às urnas. «Nós não vamos aceitar banditismo, mau-caratismo, nem de prefeito, nem de governador, nem de empresário», afirmou.
O petista classificou a situação como «abominável» e fez referência às eleições de 2022, quando bloqueios da Polícia Rodoviária Federal (PRF) teriam prejudicado o deslocamento de eleitores no Nordeste. «Eu não vou permitir que o povo seja outra vez enganado», declarou.
Pouco antes das declarações, o presidente do diretório estadual do PT em São Paulo, Kiko Celeguim, pediu à Justiça Eleitoral a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. A legenda alega descumprimento de decisão judicial que determinava a disponibilização de 100% da frota de ônibus neste domingo.
A campanha petista afirma ter recebido informações de que as empresas responsáveis pelo transporte coletivo na capital operam com apenas 60% da frota. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) solicitou que a Prefeitura preste «imediatas informações» sobre a circulação dos ônibus. No sábado (24/10), o TRE-SP já havia determinado a manutenção de 100% da frota.
Em nota, a SPTrans informou ter sido notificada pela Corte Eleitoral às 13h10 de sábado, menos de 12 horas antes do início da operação. A companhia afirmou que «agiu de forma diligente e proativa» ao comunicar as empresas sobre a decisão.
O episódio ocorre em meio ao segundo turno das eleições municipais, que mobiliza eleitores em todo o país. A redução da frota, se confirmada, pode afetar o comparecimento às urnas, especialmente nas periferias, onde o transporte público é o principal meio de deslocamento.
A Justiça Eleitoral ainda não se manifestou sobre o pedido de ampliação do horário. Procurado, o TSE não informou prazo para analisar a solicitação. A Prefeitura de São Paulo também não havia se pronunciado até a publicação desta matéria.
O caso reacende a discussão sobre a fiscalização do transporte público em dias de votação e sobre a responsabilidade de gestores municipais no cumprimento de determinações judiciais. A decisão do TRE-SP que exigia frota integral foi tomada no sábado, véspera do pleito, o que, segundo a SPTrans, dificultou o cumprimento integral da medida.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nao-vamos-aceitar-banditismo-diz-lula-sobre-denuncias-de-frota-reduzida

