O estado de São Paulo respondeu por 123 das 298 denúncias de assédio eleitoral registradas nas primeiras 24 horas de funcionamento do canal exclusivo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número representa 41% do total nacional e coloca o território paulista como principal polo de relatos desse tipo de prática.
O canal foi lançado na última quarta-feira (28) após o aumento de queixas relacionadas a pressões políticas no ambiente de trabalho no período pós-segundo turno das eleições presidenciais. A região Sudeste concentrou 178 denúncias, quase 60% do total do país, com o Rio de Janeiro em segundo lugar (28 registros) e Minas Gerais em terceiro (25).
Dentro de São Paulo, 45 municípios tiveram relatos. A capital paulista lidera com 25 casos, seguida por Campinas (13), São José dos Campos (10), Valinhos (7) e Santos (5). A capital paulista é responsável pela maior parte das denúncias do estado, segundo dados da Auditoria-Fiscal do Trabalho.
Podem registrar queixas trabalhadores que tenham sofrido ou presenciado situações de discriminação no ambiente de trabalho relacionadas ao voto ou ao posicionamento político. Entre as práticas passíveis de denúncia estão demissão motivada pela escolha eleitoral, ameaças de represália, pressão para votar em determinado candidato e outras formas de constrangimento.
As denúncias devem ser feitas no site criado pelo ministério e terão tratamento prioritário pela Auditoria-Fiscal do Trabalho em todo o país. A plataforma foi anunciada como resposta ao crescimento de relatos de assédio eleitoral após o pleito.
O MTE informou que o canal segue disponível para receber novas manifestações. A pasta não divulgou prazo para conclusão das análises nem detalhou o andamento das apurações já iniciadas.
A criação do canal ocorre em um contexto de aumento das denúncias de assédio eleitoral no país. Na última semana, o Ministério Público do Trabalho (MPT) já havia registrado mais de 3 mil denúncias desse tipo em 2026, segundo informações divulgadas pela instituição.
Especialistas em direito trabalhista lembram que o assédio eleitoral é caracterizado pela coerção no ambiente de trabalho com fins políticos e pode gerar responsabilização administrativa e judicial. A orientação é que as vítimas reúnam provas, como mensagens e testemunhas, e procurem os canais oficiais de denúncia.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sp-tem-41-das-denuncias-de-assedio-eleitoral-no-ministerio-do-trabalho

