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São Paulo

MPSP faz nova fase de operação contra distribuidora suspeita de vender remédios falsos para câncer

Ministério Público de São Paulo cumpre mandados de prisão e busca em cinco cidades; Justiça bloqueia até R$ 15 milhões e suspende atividades de sete empresas.

Distribuidora é alvo de operação por vender remédios falsos contra o câncerFoto: MPSP/Divulgação
Raphael Nogueira Felix
5 de novembro de 202607:50
Atualizado agora há pouco às 11:05

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou nesta quinta-feira (5) a segunda fase da Operação Laziosi, que investiga uma distribuidora de medicamentos acusada de comercializar produtos oncológicos falsificados e de lavar dinheiro. A ação ocorre em Araraquara, Matão, Marília, Mirassol e na capital paulista.

A Justiça autorizou o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, além do bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados, de empresas ligadas a eles e de pessoas usadas como laranjas. Sete empresas tiveram as atividades suspensas por determinação judicial.

Segundo o MPSP, as apurações começaram em 2024, depois que um laboratório fabricante de um imunoterápico de alto custo, usado no tratamento do câncer, comunicou a venda de uma unidade falsificada a um hospital da capital por uma distribuidora de Araraquara. Uma perícia oficial confirmou a falsificação na época.

A primeira fase da operação, em novembro de 2024, revelou que a distribuidora atuava em rede com outras empresas, algumas sem estrutura operacional nos endereços declarados. Entre janeiro e novembro daquele ano, a empresa teria emitido notas fiscais de saída do produto falsificado que somam mais de R$ 1,5 milhão, com destinatários em sete estados.

Em abril de 2025, mesmo após a primeira fase, a distribuidora teria vendido a um hospital do interior paulista nove unidades de outro medicamento oncológico, cuja falsificação foi constatada pelo laboratório detentor do registro. De acordo com o Ministério Público, o hospital informou que uma das unidades falsas chegou a ser aplicada em um paciente.

As outras oito unidades foram recolhidas pela própria distribuidora e substituídas por um lote que coincide com uma carga roubada em Minas Gerais. O MPSP não informou se houve novos desdobramentos sobre a aplicação do medicamento falsificado no paciente.

Até o momento desta publicação, não havia atualizações sobre prisões ou sobre o material apreendido nesta quinta-feira. A reportagem procurou a defesa da distribuidora e o espaço segue aberto para manifestação.

A operação busca apurar crimes de falsificação de medicamentos e lavagem de dinheiro, com base em indícios de que a distribuidora integrava um esquema de empresas interligadas para dar aparência legal ao comércio dos produtos falsos.

O caso reforça a importância da rastreabilidade de medicamentos de alto custo e da atuação de órgãos de fiscalização, segundo as autoridades. O MPSP orienta que hospitais e pacientes verifiquem a procedência dos produtos junto aos canais oficiais dos fabricantes.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/distribuidora-e-alvo-de-operacao-por-vender-remedios-falsos-contra-o-cancer

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