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Uso de cigarros eletrônicos dispara entre adolescentes brasileiros, aponta pesquisa do IBGE

Pesquisa nacional revela que 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, um salto de mais de 10 pontos percentuais em cinco anos. Especialistas da USP alertam para riscos à saúde e dependência.

Pesquisa do IBGE mostra que 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico, um aumento de mais de 10 pontos percentuais em cinco anos. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
24 de maio de 202610:10
Atualizado agora há pouco às 13:10

O consumo de cigarros eletrônicos entre jovens brasileiros cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2024, divulgada pelo IBGE, cerca de 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos já experimentaram dispositivos como vapes, pods e vaporizantes. Em 2019, o índice era de 16,8%, o que representa um aumento de mais de 10 pontos percentuais.

Os dados acendem um alerta para autoridades de saúde e familiares. Apesar de a comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos serem proibidas no Brasil desde 2009 pela Anvisa, o acesso a esses produtos continua sendo facilitado por canais ilegais e pela falta de fiscalização eficaz.

Especialistas da Universidade de São Paulo (USP) explicam que os dispositivos foram desenhados para atrair o público jovem, com designs coloridos, sabores doces e até telas com jogos. Essa estratégia mascara os graves riscos à saúde: os e-cigarettes contêm nicotina em forma de sal, que é altamente viciante, além de metais pesados como cobre e níquel.

A diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP, Jaqueline Scholz, alerta que a nicotina causa dependência mais rapidamente que o cigarro convencional. Ela também destaca que o cérebro dos jovens está em formação até cerca dos 24 anos, o que torna o uso precoce ainda mais prejudicial, aumentando o risco de ansiedade e depressão.

O pesquisador Henrique Bombana, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, explica que a nicotina age no sistema nervoso central liberando dopamina, gerando sensação de prazer e bem-estar, mas de forma efêmera. A repetição desse ciclo leva à dependência química e comportamental.

No Reino Unido, que inicialmente incentivou o uso de cigarros eletrônicos como alternativa ao cigarro comum, a situação mudou. Em 2026, o país aprovou uma lei histórica que proíbe a venda vitalícia de cigarros para nascidos a partir de 2009 e restringe a venda de e-cigarettes para menores de 18 anos, além de limitar o uso em locais públicos próximos a escolas e hospitais.

Para os pais, a recomendação é ficar atentos a sinais como mudanças de comportamento, cheiro adocicado no ambiente ou nos pertences dos filhos e objetos incomuns, como canetas ou pen drives que possam ser vaporizadores. O diálogo aberto e a busca por informações em fontes confiáveis são essenciais.

O tratamento para dependência de nicotina em jovens inclui acompanhamento psicológico, terapias comportamentais e, em alguns casos, medicamentos. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece apoio por meio de unidades básicas de saúde e centros de atenção psicossocial.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/cigarros-eletronicos-cresce-entre-jovens/

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