A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou ao máximo o nível de alerta para o surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, após o número de casos suspeitos ultrapassar 900, com 101 confirmações laboratoriais. O anúncio foi feito no último domingo pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que destacou a velocidade de propagação do vírus como motivo de preocupação.
Na atualização anterior, na sexta-feira, eram cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes. Já o Ministério da Saúde de Uganda informou, nesta segunda-feira, que o total de registros confirmados no país vizinho subiu para sete. A rápida disseminação levou a OMS a decretar emergência de saúde pública de importância internacional em meados de maio, a nona vez que a organização adota a medida e a terceira relacionada ao Ebola.
Diferentemente de surtos anteriores, o atual é causado pela espécie Bundibugyo do vírus Ebola, que só havia sido detectada em duas ocasiões anteriores: em 2007 e 2012. As cepas Zaire e Sudão são as mais comuns e contam com vacinas e tratamentos específicos, mas para a Bundibugyo ainda não existem terapias aprovadas, o que dificulta o controle da doença.
O Ebola é uma zoonose transmitida por morcegos frugívoros, que podem infectar humanos pelo contato com sangue ou secreções. A propagação entre pessoas ocorre por meio de fluidos corporais ou superfícies contaminadas, com uma taxa de letalidade que pode chegar a 50% dos casos.
Outro fator que torna o surto atípico é a escala já elevada de infecções no momento em que foi notificado. Quando a RDC comunicou a OMS no início de maio, havia 246 casos suspeitos e 80 mortes. Em contraste, no surto de 2014 na Guiné, o primeiro registro oficial apontava 49 casos suspeitos e 29 mortes. A demora no diagnóstico ocorreu porque os testes iniciais para a cepa Zaire deram negativo, e não havia exames disponíveis para a Bundibugyo na região.
O contexto operacional também é desafiador. A província de Ituri, epicentro do surto, abriga quase 5 milhões de pessoas em meio a conflitos armados, com 1 em cada 4 necessitando de assistência humanitária e 1 em cada 5 deslocada internamente. A violência afugenta profissionais de saúde e dificulta o rastreamento de contatos.
A insegurança alimenta a desconfiança da população, que em alguns casos questiona a existência do vírus. Na última semana, ao menos três ataques a hospitais foram registrados na RDC, e famílias tentam recuperar corpos para rituais funerários tradicionais, prática que a OMS considera de alto risco para a transmissão.
A entidade reforça que o combate ao surto exige não apenas medidas sanitárias, mas também ações para garantir a segurança das equipes e a confiança das comunidades. A ausência de vacinas específicas para a cepa Bundibugyo torna ainda mais urgente o controle da disseminação.
Fonte de referência: oglobo — https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/05/25/por-que-esse-surto-de-ebola-e-diferente-dos-anteriores-e-preocupa-as-autoridades-de-saude.ghtml



