UrgenteSurto de Ebola na África causado por espécie rara do vírus acende alerta global

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Surto de Ebola na África causado por espécie rara do vírus acende alerta global

OMS declara emergência internacional após rápido avanço do Ebola na República Democrática do Congo, com mais de 900 casos suspeitos; surto é causado pela cepa Bundibugyo, sem vacinas específicas, e ocorre em região de conflito.

Sepultamento de vítima do Ebola na RDC. Foto: © LUIS FONSECA

Raphael Nogueira Felix
25 de maio de 202608:49
Atualizado agora há pouco às 11:52

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou ao máximo o nível de alerta para o surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda, após o número de casos suspeitos ultrapassar 900, com 101 confirmações laboratoriais. O anúncio foi feito no último domingo pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que destacou a velocidade de propagação do vírus como motivo de preocupação.

Na atualização anterior, na sexta-feira, eram cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes. Já o Ministério da Saúde de Uganda informou, nesta segunda-feira, que o total de registros confirmados no país vizinho subiu para sete. A rápida disseminação levou a OMS a decretar emergência de saúde pública de importância internacional em meados de maio, a nona vez que a organização adota a medida e a terceira relacionada ao Ebola.

Diferentemente de surtos anteriores, o atual é causado pela espécie Bundibugyo do vírus Ebola, que só havia sido detectada em duas ocasiões anteriores: em 2007 e 2012. As cepas Zaire e Sudão são as mais comuns e contam com vacinas e tratamentos específicos, mas para a Bundibugyo ainda não existem terapias aprovadas, o que dificulta o controle da doença.

O Ebola é uma zoonose transmitida por morcegos frugívoros, que podem infectar humanos pelo contato com sangue ou secreções. A propagação entre pessoas ocorre por meio de fluidos corporais ou superfícies contaminadas, com uma taxa de letalidade que pode chegar a 50% dos casos.

Outro fator que torna o surto atípico é a escala já elevada de infecções no momento em que foi notificado. Quando a RDC comunicou a OMS no início de maio, havia 246 casos suspeitos e 80 mortes. Em contraste, no surto de 2014 na Guiné, o primeiro registro oficial apontava 49 casos suspeitos e 29 mortes. A demora no diagnóstico ocorreu porque os testes iniciais para a cepa Zaire deram negativo, e não havia exames disponíveis para a Bundibugyo na região.

O contexto operacional também é desafiador. A província de Ituri, epicentro do surto, abriga quase 5 milhões de pessoas em meio a conflitos armados, com 1 em cada 4 necessitando de assistência humanitária e 1 em cada 5 deslocada internamente. A violência afugenta profissionais de saúde e dificulta o rastreamento de contatos.

A insegurança alimenta a desconfiança da população, que em alguns casos questiona a existência do vírus. Na última semana, ao menos três ataques a hospitais foram registrados na RDC, e famílias tentam recuperar corpos para rituais funerários tradicionais, prática que a OMS considera de alto risco para a transmissão.

A entidade reforça que o combate ao surto exige não apenas medidas sanitárias, mas também ações para garantir a segurança das equipes e a confiança das comunidades. A ausência de vacinas específicas para a cepa Bundibugyo torna ainda mais urgente o controle da disseminação.

Fonte de referência: oglobo — https://oglobo.globo.com/saude/noticia/2026/05/25/por-que-esse-surto-de-ebola-e-diferente-dos-anteriores-e-preocupa-as-autoridades-de-saude.ghtml

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