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Ribeirão Preto

Nanopartículas de cristal líquido da USP podem tratar psoríase e vitiligo com precisão

Pesquisadores da USP desenvolveram nanopartículas de cristal líquido capazes de levar RNA terapêutico diretamente às células da pele, silenciando genes que causam inflamação em doenças como psoríase e vitiligo. Os avanços foram apresentados na Fapesp Week Londres.

Pesquisadores da USP criaram nanopartículas de cristal líquido que transportam RNA terapêutico para tratar psoríase e vitiligo com precisão. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
6 de junho de 202618:12
Atualizado agora há pouco às 21:12

Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, promete mudar a forma como doenças inflamatórias de pele são tratadas. O grupo do laboratório NanoGeneSkin criou nanopartículas de cristal líquido que transportam moléculas de RNA terapêutico diretamente às células cutâneas, silenciando com precisão os genes responsáveis pela inflamação crônica.

Os resultados mais recentes da pesquisa foram apresentados durante a Fapesp Week Londres, realizada no Museu de Ciências da capital britânica. O trabalho faz parte do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica, financiado pela Fapesp e pelo CNPq.

Coordenada pela professora Maria Vitória Bentley, a equipe vem estudando nanopartículas lipídicas há duas décadas. Inicialmente focadas na liberação de fármacos, as partículas evoluíram para carregar também RNAs de interferência (siRNA), moléculas que atuam diretamente sobre o RNA mensageiro responsável pela produção de proteínas inflamatórias.

Na psoríase, por exemplo, o sistema imunológico produz em excesso citocinas como o TNF-alfa, que causam lesões na pele. A doença atinge entre 2% e 3% da população mundial, cerca de 5 milhões de brasileiros. Já o vitiligo leva à destruição dos melanócitos, células que produzem melanina, resultando em manchas brancas na pele.

Ambas as condições têm genes superexpressos – ou seja, anormalmente ativos – que podem ser silenciados pelo RNA de interferência. “A gente entende quais são os alvos e usa um RNA complementar específico para silenciar a produção dessa citocina”, explicou Bentley.

O desafio de levar o RNA até as células da pele é duplo: a molécula é frágil e se degrada rapidamente, e a pele é uma barreira natural eficiente. A solução veio com as nanopartículas de cristais líquidos, feitas de lipídios com estrutura organizada, que protegem o material genético e facilitam sua penetração e captação pelas células.

Três linhas de pesquisa foram apresentadas: a primeira comprova que as nanopartículas conseguem silenciar genes; a segunda mostra que a luz (fotoativação) pode potencializar a liberação do RNA; e a terceira demonstra que é possível carregar múltiplos RNAs e até fármacos anti-inflamatórios em uma mesma partícula.

Essa abordagem combinada é especialmente útil para a psoríase, que envolve uma cascata inflamatória complexa com vários alvos terapêuticos. “Como a psoríase é muito complexa e tem vários alvos, o nosso objetivo é carrear RNAs para diferentes alvos e, às vezes, também um fármaco anti-inflamatório”, afirmou a pesquisadora.

Os testes foram realizados em modelos celulares e em animais com lesões similares às humanas. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia possa oferecer tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais do que as terapias atuais, que atuam em todo o organismo.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/nanotecnologia-brasileira-tratar-doencas/

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