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Ribeirão Preto

Vacinação de adultos é essencial para proteger bebês de doenças como coqueluche e sarampo

Especialistas alertam que a baixa cobertura vacinal entre adultos tem contribuído para o ressurgimento de doenças já controladas, colocando em risco a saúde de recém-nascidos.

A vacinação de adultos é fundamental para proteger recém-nascidos de doenças como coqueluche e sarampo, alertam especialistas. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
6 de junho de 202608:10
Atualizado agora há pouco às 11:10

A vacinação de adultos que convivem com bebês de até seis meses é uma estratégia fundamental para evitar a propagação de doenças como coqueluche, influenza, sarampo e difteria. A orientação é de especialistas da Universidade de São Paulo (USP), que destacam a importância de manter a imunização em dia para proteger os recém-nascidos, cujo sistema imunológico ainda é frágil.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, foram registrados quase 7,8 mil casos confirmados de coqueluche no Brasil, um aumento expressivo em relação a 2023, quando houve um surto da doença. A pediatra Jorgete Maria e Silva, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, explica que a baixa adesão à vacinação entre adultos é um dos principais fatores para esse cenário.

“A estratégia de casulo, que consiste em vacinar todas as pessoas próximas ao bebê, é essencial para criar uma barreira de proteção”, afirma a médica. Ela ressalta que, além da coqueluche, a mesma lógica se aplica a outras doenças imunopreveníveis, como influenza, sarampo e difteria, todas com vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).

O epidemiologista Fernando Rodrigues Bellissimo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, complementa que o aleitamento materno também contribui para a proteção do recém-nascido, transferindo anticorpos da mãe para o bebê. No entanto, ele alerta que a amamentação não substitui a vacinação dos adultos e crianças.

“A vacinação dos pais e cuidadores é uma medida preventiva de baixo custo se comparada ao tratamento de doenças graves. Muitos adultos negligenciam a própria imunização, focando apenas na caderneta de vacinação dos filhos”, observa Bellissimo.

A enfermeira Karina Bordonal Gomiero Biagiotti, que atua em uma clínica privada de vacinação, relata que muitos pais deixam de se vacinar por considerarem o valor alto – cada dose pode custar cerca de R$ 200. “Eles pensam no custo imediato, mas não no benefício a longo prazo para a saúde do bebê e deles próprios”, diz.

Para reverter o quadro de baixa cobertura vacinal, os especialistas defendem campanhas de conscientização direcionadas aos adultos, além da ampliação do acesso às vacinas. A recomendação é que pais, avós, babás e outros cuidadores verifiquem a situação vacinal antes do nascimento da criança e atualizem as doses necessárias.

O ressurgimento de doenças como a coqueluche, que já foi considerada controlada, acende um alerta para a importância da imunização contínua. A vacinação de adultos não apenas protege os bebês, mas também freia a circulação de patógenos na comunidade, beneficiando toda a população.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/vacinar-adultos-protege-bebes-freia-doenca/

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