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Botucatu

Polipílula testada em estudo global reduz risco de novo AVC hemorrágico em pacientes

Pesquisa internacional com participação da Unesp em Botucatu mostra que combinação de três anti-hipertensivos em dose baixa, tomada uma vez ao dia, reduziu a pressão arterial e cortou pela metade a incidência de novos derrames em pacientes com histórico de AVC hemorrágico.

Raphael Nogueira Felix
1 de julho de 202620:00
Atualizado agora há pouco às 23:00

Um ensaio clínico internacional testou uma polipílula – comprimido único com três medicamentos anti-hipertensivos em baixas doses – em pacientes que já haviam sofrido um AVC hemorrágico. Os resultados indicam que a nova abordagem pode reduzir significativamente a pressão arterial e prevenir novos episódios de derrame, além de diminuir a ocorrência de outros eventos cardiovasculares, como infarto.

O estudo, batizado de TRIDENT, envolveu 61 centros de pesquisa em 12 países, incluindo a Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu. Foram recrutados 1.670 pacientes estáveis, com pressão sistólica entre 130 e 160 mmHg mesmo em tratamento padrão. Metade recebeu a polipílula (telmisartana 20 mg, anlodipino 2,5 mg e indapamida 1,25 mg) e a outra metade, placebo, ambos por cinco anos.

Após o período de acompanhamento, a pressão arterial média do grupo que tomou a polipílula foi de 127 mmHg, contra 138 mmHg do grupo placebo. A diferença se refletiu nos desfechos clínicos: apenas 4,6% dos pacientes do grupo ativo tiveram um novo AVC, ante 7,4% do grupo placebo. A redução no risco de qualquer tipo de AVC recorrente foi de 39%.

Além disso, a incidência de outros eventos cardiovasculares graves – como infarto do miocárdio e morte por causas cardiovasculares – foi menor no grupo que usou a polipílula (6,6%) em comparação ao placebo (9,8%). Os resultados foram publicados no periódico The New England Journal of Medicine.

O neurologista Rodrigo Bazan, chefe do Departamento de Neurociências e Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Botucatu e um dos investigadores principais do estudo no Brasil, destacou a segurança e a adesão ao tratamento. Segundo ele, a combinação em dose baixa em um único comprimido tomado uma vez ao dia facilitou a adesão dos pacientes, que atingiu 86% ao longo do estudo.

“Foi um estudo seguro, porque o comprimido triplo era usado em complemento ao tratamento convencional. E o simples fato de a pessoa controlar a pressão para níveis inferiores a 130 mmHg por 90 mmHg reduziu em 39% o risco de qualquer tipo de acidente vascular cerebral recorrente”, afirmou Bazan.

A polipílula é composta por medicamentos já conhecidos e amplamente utilizados separadamente: telmisartana, anlodipino e indapamida. A inovação está na combinação em baixas doses em um único comprimido, o que pode melhorar a adesão ao tratamento de longo prazo – um dos principais desafios no controle da hipertensão e na prevenção de eventos cardiovasculares.

O AVC é a segunda causa de morte no Brasil, com mais de 106 mil óbitos em 2024, e a principal causa de incapacidade. Cerca de 70% das pessoas que sofrem um AVC não retornam ao trabalho, e 50% ficam dependentes de cuidados. O tipo hemorrágico, embora menos comum (30% a 40% dos casos), é o mais letal.

O estudo TRIDENT foi financiado pelo Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da Austrália e pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, do Ministério da Saúde do Brasil. A George Medicines, vinculada ao Instituto George para a Saúde Global, forneceu o medicamento e o placebo.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/combinacao-anti-hipertensivo-historico-avc/

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