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Pesquisa da Unifesp revela que corpo absorve apenas parte dos minerais de castanhas

Estudo simulou digestão humana e mostrou que cobre e magnésio das castanhas-de-caju e do-pará têm bioacessibilidade parcial.

Pesquisa da Unifesp simulou digestão humana e constatou que cobre e magnésio de castanhas-de-caju e do-pará têm bioacessibilidade parcial. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
14 de junho de 202612:50
Atualizado agora há pouco às 15:50

Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) simulou em laboratório o processo de digestão humana e concluiu que o organismo consegue aproveitar apenas uma fração dos minerais presentes em castanhas. A pesquisa, apoiada pela FAPESP, focou na castanha-de-caju e na castanha-do-pará, duas oleaginosas bastante consumidas no Brasil.

Os cientistas analisaram a bioacessibilidade de quatro minerais: cobre, magnésio, manganês e zinco. A bioacessibilidade indica a quantidade do nutriente que é liberada do alimento durante a digestão e fica disponível para ser absorvida pelo intestino.

No caso da castanha-de-caju, cerca de 56% do cobre e 52% do magnésio presentes no alimento estavam disponíveis para absorção após a digestão simulada. Já o manganês e o zinco apareceram em quantidades tão baixas que não puderam ser medidos com precisão.

Para a castanha-do-pará, aproximadamente 50% do cobre e 28% do magnésio se mostraram bioacessíveis. Novamente, manganês e zinco ficaram abaixo do limite de detecção do equipamento utilizado.

O coordenador do estudo, químico Angerson Nogueira do Nascimento, professor associado da Unifesp, explicou que a pesquisa não se limitou a medir a concentração total dos minerais nas castanhas. “Nosso grupo também utiliza ensaios que simulam os processos de digestão gástrica e intestinal sobre essas amostras”, afirmou.

Os pesquisadores destacam a diferença entre bioacessibilidade e biodisponibilidade. Enquanto a primeira pode ser avaliada em laboratório, a segunda exige estudos com animais ou seres humanos para medir a quantidade efetivamente absorvida e utilizada pelo organismo.

Os resultados, publicados na revista Química Nova em março, indicam que as castanhas não devem ser consideradas fontes exclusivas desses nutrientes, mas podem contribuir de forma complementar para uma dieta equilibrada e diversificada.

A pesquisa reforça a importância de avaliar o real valor nutricional dos alimentos, considerando não apenas o que eles contêm, mas o que o corpo consegue efetivamente aproveitar.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/corpo-aproveita-pouco-minerais-castanhas/

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