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Conchal

Médico é indiciado por homicídio culposo após morte de criança picada por escorpião no interior de SP

Polícia Civil conclui inquérito e aponta atraso no encaminhamento de menino de 3 anos para tratamento com soro antiescorpiônico em Conchal (SP).

Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, morreu após levar uma picada de escorpião na quinta-feira (31/3), em Conchal, no interior paulistaFoto: Reprodução/Facebook | Arquivo pessoal/material cedido ao Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
11 de agosto de 202612:20
Atualizado agora há pouco às 15:20

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava a morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, vítima de picada de escorpião em março deste ano, em Conchal, no interior de São Paulo. O caso foi encerrado com o indiciamento do médico responsável pelo primeiro atendimento por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Segundo o delegado Luis Henrique Lima Pereira, responsável pelas investigações, o profissional adotou procedimentos que acabaram por retardar a transferência da criança para uma unidade de saúde com soro antiescorpiônico. O encaminhamento imediato era essencial, pois o hospital mais próximo com o antídoto ficava na cidade vizinha de Araras.

De acordo com o relato do pai, Bernardo foi picado duas vezes no quintal de casa. O pai matou o animal e levou a criança, junto com o escorpião, ao Hospital e Maternidade Madre Vannini, em Conchal. No local, o menino foi internado no CTI para observação, mas cerca de 15 minutos depois começou a apresentar sintomas graves, como vômitos, sudorese e alterações cardíacas.

A família chegou a alertar a equipe médica sobre a piora do quadro, mas, conforme a investigação, os profissionais só perceberam a gravidade após aproximadamente três horas. Somente então começaram a procurar vaga na Santa Casa de Araras, onde o soro estava disponível. O atraso, segundo o delegado, tornou o quadro clínico irreversível.

O delegado afirmou que o médico não acionou o hospital de referência nem o SAMU diretamente para providenciar a transferência imediata. «O médico não ligou no hospital e também não ligou diretamente para o SAMU para que providenciasse esse encaminhamento imediato da criança, e por conta desse atraso, nessa transferência tardia da criança, o quadro se tornou irreversível», explicou.

Além do indiciamento, a polícia pediu à Justiça que o profissional seja proibido de atuar como plantonista ou em serviços de urgência e emergência em qualquer unidade de saúde. A medida não impede o exercício da medicina, mas busca afastá-lo de funções que envolvam atendimento a pacientes em risco de vida.

A Associação Filhas de São Camilo, mantenedora do hospital, manifestou pesar pela morte de Bernardo. Em nota, a instituição afirmou que foram adotadas todas as medidas clínicas compatíveis com a capacidade da unidade, incluindo acolhimento, avaliações médicas, acesso venoso, analgesia, bloqueio anestésico, corticoterapia, soroterapia e suporte vasopressor, diante do quadro apresentado.

O caso reacende o alerta para a importância do atendimento ágil em casos de picada de escorpião, especialmente em crianças. O soro antiescorpiônico é o tratamento eficaz e deve ser administrado o quanto antes para evitar complicações graves. Em nota, a Secretaria de Saúde de São Paulo informou que o estado registra, em média, 34 mil acidentes com escorpiões por ano e reforçou a orientação para que a população procure atendimento médico imediato em caso de picada.

A reportagem tenta localizar a defesa do médico indiciado para comentar o resultado do inquérito. O espaço permanece aberto para manifestação.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/policia-indicia-medico-por-morte-de-menino-apos-picada-de-escorpiao

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