Uma jovem de 28 anos perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo após andar na montanha-russa Montezum, no parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo. O caso ocorreu em abril deste ano e é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Júlia Bossoni e o marido, João Pedro Bossoni, moradores de Londrina, no Paraná, viajaram até São Paulo para conhecer o parque. Segundo o inquérito policial, o casal passou o dia no local e utilizou diversos brinquedos. No fim da visita, decidiram retornar à Montezum, a maior montanha-russa da América Latina, com 42,4 metros de altura e queda de 44,5 metros, após ganharem um passe VIP para uma nova rodada sem fila.
Durante o percurso, Júlia começou a convulsionar. O companheiro pediu ajuda, e a jovem foi atendida no ambulatório do parque. De acordo com o relato, os funcionários não conseguiram administrar oxigênio. Ela foi encaminhada à Santa Casa de Vinhedo, onde foi diagnosticado um traumatismo cranioencefálico (TCE).
O hospital concluiu que o quadro foi provocado por um contragolpe da montanha-russa, em razão dos fortes solavancos do brinquedo, já que não foi identificada nenhuma má formação que explicasse a condição. A jovem precisou passar por cirurgia para retirar parte do crânio devido a um hematoma no lóbulo frontal, que causou hemorragia grave.
Após a primeira intervenção, Júlia foi transferida para o hospital da Unimed de Londrina, onde continuou o tratamento. Em agosto, segundo o depoimento do marido, ela apresentava estado crítico e reagia pouco a estímulos externos. Ainda em Vinhedo, foram colocados drenos no cérebro para evitar o acúmulo excessivo de líquidos.
Depois de aproximadamente 60 dias na UTI, a jovem retornou a Londrina e iniciou a reabilitação com fisioterapias e tratamentos em casa. No entanto, um dos drenos infeccionou, exigindo um novo procedimento cirúrgico que agravou seu quadro neurológico. Júlia perdeu a movimentação do lado esquerdo do corpo e desenvolveu dificuldades para se alimentar e falar.
A família afirma que a jovem não tinha problemas de saúde anteriores. O inquérito policial, ao qual a imprensa teve acesso, aponta inconsistências nas imagens fornecidas pelo Hopi Hari às autoridades. O parque nega possuir registros do trajeto completo do brinquedo.
O Ministério Público de São Paulo acompanha as investigações para apurar as circunstâncias do ocorrido. O caso levanta discussões sobre a segurança em parques de diversões e a necessidade de manutenção adequada dos equipamentos.
Procurado, o Hopi Hari não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para eventuais esclarecimentos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/jovem-perde-movimento-apos-andar-em-montanha-russa-do-hopi-hari-mpsp-apura

