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Atibaia

Jovem relata dependência de canetas emagrecedoras compradas sem prescrição no interior de SP

Moradora de Atibaia conta que adquiriu o produto no mercado paralelo por R$ 1 mil e alerta para a dificuldade de interromper o uso; especialistas destacam riscos.

Getty Images
Raphael Nogueira Felix
13 de setembro de 202603:09
Atualizado agora há pouco às 06:09

Uma jovem de 20 anos, moradora de Atibaia, no interior de São Paulo, tem chamado atenção ao relatar publicamente a dependência que desenvolveu de canetas emagrecedoras obtidas sem prescrição médica. Ela concedeu entrevista sob a condição de ter o nome completo preservado, sendo identificada apenas como Beatriz ou Bia.

Segundo seu relato, a busca por um corpo magro sempre esteve presente em seu cotidiano. Ela conta que lidava com compulsão alimentar e ouvia com frequência comentários de familiares e amigos sugerindo que bastava «fechar a boca» para emagrecer. A pressão estética e as críticas constantes sobre seu corpo a motivaram a buscar alternativas rápidas.

Há cerca de um ano, Bia iniciou as aplicações de canetas emagrecedoras compradas de uma conhecida que anunciava o produto nas redes sociais. A vendedora, segundo ela, não era médica nem esteticista, e as canetas vinham do Paraguai sem nota fiscal e sem procedência confirmada. O valor era de quatro doses por R$ 1 mil, abaixo dos medicamentos autorizados pela Anvisa no Brasil.

A jovem relata que o produto era similar ao Mounjaro, mas sem autorização para comercialização no país. Ela começou o tratamento sem acompanhamento médico, pesando 83 kg. Atualmente, está com cerca de 66 kg. Apesar da perda de peso, Bia afirma que desenvolveu uma relação de dependência com o medicamento.

«É como um vício mesmo, eu não consigo parar», desabafa a jovem. Ela conta que os primeiros efeitos ajudaram a reduzir os pensamentos constantes sobre comida, mas que hoje sente dificuldade em interromper as aplicações. A dependência emocional do produto se tornou um problema tão significativo quanto a questão inicial do peso.

Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para os riscos do uso indiscriminado de medicamentos sem prescrição e sem procedência. Eles destacam os perigos da heteronomia farmacológica — quando o paciente perde a autonomia sobre o próprio tratamento — e da distorção da imagem corporal, que pode levar a comportamentos de risco.

A história de Bia evidencia um fenômeno crescente: a busca por soluções rápidas para emagrecimento, muitas vezes à margem da orientação médica. O caso também expõe a facilidade de acesso a produtos clandestinos e a pressão social por um padrão estético inalcançável.

A jovem afirma que pensa em parar, mas sente que o processo é semelhante ao de uma droga. Ela relata que a interrupção provoca ansiedade e o retorno dos pensamentos obsessivos sobre alimentação. Bia diz que decidiu falar publicamente para alertar outras pessoas que possam estar na mesma situação.

O uso de canetas emagrecedoras sem indicação médica pode causar efeitos colaterais graves, como náuseas, pancreatite e problemas na tireoide. A Anvisa reforça que a venda de medicamentos sem registro é irregular e que a compra deve ser feita apenas em farmácias autorizadas, com receita médica.

Procurada, a Anvisa não se manifestou especificamente sobre o caso. A reportagem não localizou a vendedora citada por Bia. O Metrópoles segue acompanhando o tema e está aberto a novos relatos de pessoas que enfrentam situação semelhante.

Jovem de SP alerta sobre vício em caneta emagrecedora: “Não consigo parar” - destaque galeria
Jovem de SP alerta sobre vício em caneta emagrecedora: “Não consigo parar” - destaque galeria

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/jovem-de-sp-alerta-sobre-vicio-em-caneta-emagrecedora-nao-consigo-parar

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