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São Paulo

PF apura fraude milionária em exportação de cassiterita com pó de brita e advogados de SP sob suspeita

Investigação da Polícia Federal aponta que advogados de São Paulo teriam intermediado contratação de doleiras para movimentar parte dos US$ 48 milhões do esquema.

Advogados Guilherme Luiz Altavista Romão (esquerda) e Santiago André Schunck (direita)Foto: Reprodução/Redes sociais
Raphael Nogueira Felix
13 de setembro de 202602:29
Atualizado agora há pouco às 05:29

Uma investigação da Polícia Federal sobre a exportação de cassiterita substituída por pó de brita levou a dois advogados de São Paulo. Segundo representação da corporação, o minério negociado teria origem na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, e sua procedência real era ocultada por documentos que simulavam uma origem legal.

Os advogados Guilherme Luiz Altavista Romão e Santiago André Schunck são apontados como intermediários entre o principal articulador da fraude, Diego Possebon, e duas doleiras que operacionalizavam as transferências financeiras. A PF estima que o esquema tenha causado prejuízo de aproximadamente US$ 48 milhões à multinacional suíça Gerald Metals.

O caso veio à tona após a abertura de contêineres enviados do Brasil para a Tailândia, a China e a Malásia. Os primeiros carregamentos tinham menos de 1% de estanho, embora deveriam conter concentrado de cassiterita, minério conhecido como “ouro negro”.

De acordo com a investigação, 109 dos 129 contêineres enviados foram abertos e todos apresentaram areia ou brita em vez do minério negociado. A representação da PF classifica Schunck e Romão como “executores” do esquema, responsáveis pela contratação das doleiras.

O mecanismo financeiro descrito é o dólar-cabo, que permite que valores em dólares movimentados nos Estados Unidos sejam compensados por transferências em reais no Brasil, sem o transporte físico do dinheiro entre os países. A operação previa uma comissão de 3% sobre as transações, dos quais 1% seria destinado ao escritório de Schunck e Romão.

Segundo a PF, Diego Possebon é apontado como responsável por intermediar a compra dos minérios extraídos da Terra Indígena Yanomami. Na estrutura descrita, os advogados teriam ficado responsáveis pela contratação das doleiras, que internalizaram parte dos valores pagos pela empresa suíça, por mediação de contratos e para dar eventuais suportes logístico, jurídico e de crise.

O advogado de defesa das doleiras, Eduardo Maurício, afirmou que o caso está em segredo de Justiça, mas destacou que «demonstra gravidade devido à extração ilegal de minérios em terras indígenas, que podem causar grave crise humanitária».

O Metrópoles procurou os advogados Schunck e Romão, mas não obteve resposta até o momento da publicação. A reportagem também não localizou a defesa de Possebon.

A apuração segue em sigilo e não há condenação até o momento. As informações são baseadas em documentos obtidos pela reportagem e na representação da Polícia Federal, que investiga a fraude e o uso de mecanismos financeiros para movimentar os valores.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/golpe-da-brita-advogados-de-sp-sao-investigados-por-fraude-milionaria

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