O desabamento de um prédio de 12 andares em construção na madrugada de sábado (12/9), na Rua Tequici, zona leste de São Paulo, expôs um histórico de irregularidades que se arrastava desde 2019. A construção, que caiu sobre imóveis vizinhos, deixou duas mulheres mortas — uma delas grávida — e outras quatro pessoas soterradas até o início da tarde.
Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), a empresa responsável pela obra, a construtora New Home, foi multada em R$ 119 mil em 2021. O valor integra uma série de autuações aplicadas pelo município ao longo dos anos. A obra já havia sido autuada e interditada em 2019 por falta de alvará, mas, de acordo com Nunes, os trabalhos continuaram mesmo após a medida.
Diante da continuidade da construção, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) entrou com uma ação judicial em 2021 para tentar interromper os trabalhos. Foi nesse contexto que novas multas foram aplicadas à empresa, incluindo a citada pelo prefeito.
Em 2024, o caso ganhou um novo capítulo. Conforme Nunes, em um novo processo, a Prefeitura condicionou a autorização para uma nova edificação à demolição da estrutura que já existia no terreno. A ideia era que somente após a retirada da construção anterior uma nova obra pudesse ser feita no local dentro dos parâmetros legais.
No entanto, um documento assinado em 22 de fevereiro de 2024 por uma servidora da Subprefeitura da Penha registrou que, conforme o entendimento técnico descrito no relatório, a demolição havia sido feita «em sua integralidade» e que uma nova edificação estava em andamento. A Prefeitura, por sua vez, sustenta que a demolição não foi realizada e solicitou o afastamento da servidora.
O desabamento ocorreu por volta da madrugada e atingiu diretamente uma residência vizinha, onde moravam mais de dez pessoas. Duas mulheres morreram no local, incluindo uma gestante. Um homem de cerca de 30 anos e uma criança de 7 anos foram resgatados com vida e encaminhados para atendimento médico.
Até o início da tarde de sábado, outras quatro pessoas permaneciam soterradas nos escombros: uma criança, um casal e outra mulher. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil atuavam no local para localizar as vítimas.
O prefeito Ricardo Nunes visitou a área do desabamento ainda pela manhã e afirmou que os responsáveis pela construtora serão presos. A declaração foi dada sem detalhamento sobre prazos ou medidas judiciais em andamento.
A tragédia reacende o debate sobre a fiscalização de obras irregulares na capital paulista, especialmente em áreas densamente ocupadas da zona leste. O caso segue em apuração pelas autoridades municipais e pela Justiça.
A Prefeitura informou que acompanha o resgate e que vai apurar as responsabilidades administrativas. Não há, até o momento, confirmação oficial sobre as causas estruturais do colapso.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/construtora-havia-sido-multada-em-r-119-mil-por-predio-que-desabou-em-sp

