Uma jovem jaguatirica (Leopardus pardalis) voltou à Mata Atlântica no dia 24 de junho, após passar por um longo processo de reabilitação no Centro de Triagem e Recuperação de Animais Silvestres de Registro (Cetras-Registro), unidade ligada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do governo paulista. O animal foi resgatado em uma área rural de Miracatu, no interior do estado, onde havia sido visto com frequência nas proximidades de propriedades rurais.
Moradores da região notaram a presença constante da felina, que se aproximava de criações de aves domésticas em busca de alimento. A Polícia Militar Ambiental foi acionada e encaminhou o animal ao centro de triagem, onde uma equipe especializada iniciou os cuidados. Os primeiros exames revelaram que a jaguatirica estava abaixo do peso, apresentava um ferimento em uma das patas traseiras e lesões na cabeça, nas orelhas e no pescoço.
Exames complementares confirmaram um diagnóstico incomum para animais silvestres na região: sarna. A doença exigiu tratamento imediato e acompanhamento clínico rigoroso. Durante meses, a equipe do Cetras-Registro monitorou a evolução do quadro, até que a jaguatirica estivesse completamente livre da enfermidade e apta a retornar à vida livre.
A soltura ocorreu na Reserva Legado das Águas, área escolhida por estar conectada a importantes Unidades de Conservação do estado, formando um corredor ecológico da Mata Atlântica. O local oferece alimento e abrigo, condições essenciais para que a jaguatirica se readapte e volte a desempenhar seu papel ecológico. “Esse momento demonstra a eficiência das parcerias para a conservação da Mata Atlântica e de toda a sua biodiversidade”, afirmou Daniela Gerdenits, gerente do Legado das Águas.
Hanna Sibuya Kokubun, chefe do Cetras-Registro, destacou a importância de cada soltura: “Quando abrimos a caixa de transporte e vemos um animal voltar para a floresta, temos a certeza de que todo o esforço valeu a pena. Cada indivíduo devolvido à natureza representa uma nova oportunidade para a conservação da espécie e reforça o trabalho da equipe.”
A história da jaguatirica também chama atenção para o aumento dos conflitos entre humanos e fauna silvestre. Com a redução e fragmentação dos ambientes naturais, muitas espécies se aproximam de áreas rurais e urbanas em busca de alimento ou abrigo. Nessas situações, os animais frequentemente saem em desvantagem, sujeitos a atropelamentos, ferimentos em cercas e exposição a doenças transmitidas por animais domésticos. A sarna identificada na jaguatirica é um exemplo desse tipo de ameaça.
Classificada como vulnerável à extinção no Estado de São Paulo, a jaguatirica depende de ações de conservação para a manutenção de suas populações. A orientação das autoridades é que, ao encontrar um animal silvestre, a população nunca tente capturá-lo, alimentá-lo ou afugentá-lo. O mais seguro é acionar os órgãos ambientais competentes.
A soltura reforça ainda o trabalho do Grupo de Trabalho de Coexistência Humano-Fauna, criado em 2024 pela Diretoria de Biodiversidade e Biotecnologia da Semil. Desde então, a equipe já respondeu a mais de 160 solicitações de orientação técnica sobre a presença de animais silvestres em áreas urbanas e rurais. Em maio, a pasta promoveu o 1º Encontro de Coexistência Humano-Fauna, em Anhumas, reunindo representantes de municípios paulistas para discutir prevenção de conflitos e manejo adequado da fauna.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/jaguatirica-supera-doenca-e-volta-a-mata-atlantica-com-ajuda-de-centro-do-governo-de-sp/


