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Projeto-piloto em Sabino usará ondas ultrassônicas para conter algas no Rio Tietê

Governo de SP instala 14 boias inteligentes no Córrego do Esgotão para reduzir proliferação de algas sem produtos químicos; área equivale a 130 campos de futebol.

Boias inteligentes com tecnologia ultrassônica são instaladas no Córrego do Esgotão, em Sabino, para combater algas no Rio Tietê sem uso de produtos químicos. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
12 de junho de 202610:50
Atualizado agora há pouco às 13:50

O Governo de São Paulo anunciou um projeto-piloto inovador para combater a formação da chamada 'nata verde' no Rio Tietê. A iniciativa, coordenada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), será implantada no Córrego do Esgotão, no município de Sabino, região que historicamente sofre com florações intensas de cianobactérias.

O sistema utilizará 14 boias inteligentes interligadas, capazes de emitir ondas ultrassônicas em diferentes frequências. A tecnologia, desenvolvida na Holanda, já é aplicada em cerca de 60 países e tem como objetivo interferir na capacidade de flutuação das algas, forçando-as a migrar para camadas mais profundas da água, onde a falta de luz solar interrompe seu ciclo de vida.

De acordo com a Cetesb, a escolha de Sabino se deve ao histórico de florações e à relevância local para atividades de lazer, turismo e pesca. A área abrangida pelo projeto possui aproximadamente 960 mil metros quadrados, o equivalente a mais de 130 campos de futebol, e um volume estimado de 7 milhões de metros cúbicos de água.

Cada boia terá alcance de cerca de 500 metros de diâmetro e será equipada com sensores para monitorar continuamente parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura, clorofila e ficocianina. Além disso, uma estação meteorológica integrará dados de chuva, vento e temperatura para antecipar condições favoráveis ao surgimento das florações.

O sistema contará com inteligência embarcada, utilizando algoritmos para ajustar automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições da água. Toda a operação será alimentada por energia solar e baterias de lítio, garantindo baixo impacto ambiental.

A instalação está prevista para agosto, e os primeiros resultados devem ser observados após 90 dias de operação. O investimento total é de cerca de R$ 9 milhões. A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, destacou que a tecnologia se soma a outras ações do programa IntegraTietê, como saneamento, desassoreamento e fiscalização.

A proliferação de algas está associada ao excesso de nutrientes na água, fenômeno conhecido como eutrofização, agravado por altas temperaturas e maior incidência solar. Além do impacto visual, as florações podem comprometer a qualidade da água e afetar atividades econômicas e de lazer.

O anúncio foi feito durante a Semana do Meio Ambiente, no Parque Ecológico do Tietê, na capital paulista, em evento que integrou governo, setor produtivo e sociedade civil em torno da agenda climática e do desenvolvimento sustentável.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/ondas-ultrassonicas-conter-algas-tiete/

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