A Prefeitura de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, encerrou nesta terça-feira (29) a parceria com a Associação Recomeçar, que prestava acolhimento temporário a mulheres, crianças e adolescentes em situação de violência. O anúncio foi feito após análise da Secretaria Municipal de Assistência Social, que apontou baixa demanda pelo serviço.
Segundo dados da pasta, entre janeiro e setembro deste ano, a unidade mantida em conjunto com a ONG permaneceu 237 dias com no máximo três pessoas atendidas, embora houvesse outras 17 vagas disponíveis. Em 2025, o cenário foi semelhante: 130 dias sem nenhuma acolhida e 116 dias com até cinco usuárias.
A prefeitura afirma que a decisão não deixará as mulheres desamparadas e que o município conta com outros mecanismos de apoio, como a Casa Abrigo e o Programa Acolhe, este último financiado com recursos privados. A gestão também declarou que é necessário reorganizar os serviços prestados às mulheres, atendendo às reais necessidades identificadas pela rede local.
A Associação Recomeçar, por sua vez, divulgou nota em que manifesta «forte preocupação e perplexidade» com o encerramento das atividades. A entidade classificou a medida como contraditória ao movimento de expansão do atendimento 24 horas na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) do município.
No texto, a ONG argumenta que a interrupção de uma estrutura de acolhimento crucial ocorre «no exato momento em que a rede de proteção deveria ser fortalecida, comprometendo a continuidade do suporte integral e humanizado indispensável às mulheres em situação de violência».
A Recomeçar também ressaltou que o serviço foi conquistado pela luta histórica dos movimentos de mulheres, sob o princípio de que o Estado que incentiva a mulher a romper o silêncio tem o dever de garantir sua proteção. A associação funcionava como abrigo temporário para vítimas em risco de morte enquanto aguardavam o registro do boletim de ocorrência e a aprovação de medidas protetivas.
Procurada, a Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que a Secretaria de Assistência Social segue com o processo de reorganização dos serviços e que novos encaminhamentos serão divulgados oportunamente. A gestão não detalhou como será feita a transição das mulheres atualmente atendidas pela parceria encerrada.
O caso reacende o debate sobre a estrutura de proteção a vítimas de violência na região. Especialistas ouvidos reservadamente apontam que a baixa ocupação de um equipamento não necessariamente indica ausência de demanda, mas pode refletir falhas na divulgação ou no encaminhamento pela rede.
A reportagem tentou contato com a Associação Recomeçar para obter mais informações sobre o número de pessoas atendidas e os encaminhamentos futuros, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/prefeitura-de-mogi-fecha-abrigo-para-mulheres-e-alega-falta-de-demanda

