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Campinas

Operação Shylock prende sete suspeitos de rede de agiotagem que lesou 62 vítimas em Campinas

Ministério Público de São Paulo e polícias cumprem mandados contra grupo acusado de usura, extorsão e lavagem de dinheiro; 18 pessoas teriam perdido imóveis.

Operação contra agiotasFoto: Polícia Militar/Divulgação
Raphael Nogueira Felix
6 de novembro de 202611:05
Atualizado agora há pouco às 14:24

Uma operação deflagrada nesta sexta-feira (6/11) em Campinas, no interior paulista, resultou na prisão de sete pessoas suspeitas de integrar uma rede de agiotagem que, segundo as investigações, ocultava valores já pagos por devedores para tomar posse de imóveis das vítimas. A ação, batizada de Operação Shylock, é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio do 1º e do 10º Batalhão de Ações Especiais (Baep) da Polícia Militar e de policiais civis do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2 (Deinter 2).

De acordo com o MPSP, ao menos 18 pessoas perderam seus imóveis para o grupo investigado, que teria agido de forma estruturada e com divisão de tarefas. Ao todo, a rede é acusada de lesar 62 vítimas. Entre os crimes apontados estão usura, extorsão, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica.

Os investigadores identificaram cerca de 50 operações realizadas pelo grupo. Cada integrante teria uma função específica, que ia da captação de vítimas e negociação de empréstimos à formalização de contratos, administração financeira, cobrança e ocultação dos valores obtidos. Empresas de fachada eram usadas para movimentar recursos e transferir patrimônio, dificultando o rastreamento das quantias.

A Justiça decretou 11 mandados de prisão preventiva e expediu 24 ordens de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais nos bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa, Taquaral, Vila dos Plátanos, Vila Lemos e Vila São Bernardo. Também foram determinados o bloqueio de bens e valores, o sequestro de imóveis e o afastamento cautelar de uma pessoa do exercício de função pública.

Durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam dez armas, munições, joias em ouro e quantias expressivas em dinheiro em espécie. Entre os detidos estão Silene Maria Mosca Porto, presa em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, Andrea Delpasso, Thales Mosca Porto, Paulo César Veloso Grigoletti, Eduardo Tadeu Baraccat Filho e Eduardo Berini, que seria funcionário do 4º Cartório de Notas de Nova Campinas. A reportagem não localizou os advogados dos citados até a publicação desta matéria.

O caso segue sob apuração do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP. As investigações buscam detalhar o esquema de ocultação de valores e a extensão dos prejuízos às vítimas, que podem ter sido induzidas a assinar contratos com cláusulas abusivas e garantias reais sobre os imóveis.

A Operação Shylock leva esse nome em referência à peça de William Shakespeare, em que o agiota Shylock cobra uma dívida de forma implacável. O uso do termo pela autoridades sugere a gravidade das condutas investigadas, que, segundo o Ministério Público, incluíam a apropriação forçada de bens.

Moradores de Campinas que se sentiram lesados por práticas semelhantes podem procurar o Gaeco ou a Delegacia de Polícia mais próxima para registrar boletim de ocorrência. O MPSP não divulgou um canal específico para vítimas da rede, mas orienta que procurarem a Promotoria de Justiça de sua comarca.

Fonte de referência: São Paulo – Metrópoles — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-agiotas-ocultavam-valores-ja-pagos-para-ficar-com-imoveis-de-vitimas

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