UrgenteEx-chefe de terminal portuário é condenado a 11 anos por tráfico de 416 kg de cocaína para a Suíça
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Ex-chefe de terminal portuário é condenado a 11 anos por tráfico de 416 kg de cocaína para a Suíça

Diogo da Silva Santos, que atuava como chefe de pátio no Porto de Santos, foi sentenciado por facilitar o embarque de cocaína escondida em sacas de café.

Raphael Nogueira Felix
1 de julho de 202619:52
Atualizado agora há pouco às 23:19

Um ex-chefe de terminal no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, foi condenado a 11 anos, um mês e dez dias de prisão por envolvimento no tráfico internacional de drogas. A sentença, proferida pela Justiça Federal, aponta que Diogo da Silva Santos, de 40 anos, usou sua posição para burlar a fiscalização e permitir o envio de 416 quilos de cocaína para a Suíça, em março de 2022.

De acordo com a investigação, Santos era responsável pelo pátio do terminal nos dias do crime. Ele teria retirado a carga do sistema de fiscalização na entrada e saída do local, além de ordenar que subordinados interrompessem procedimentos de segurança. A droga foi ocultada em sacas de café, com tabletes colocados em embalagens com costura diferente das utilizadas nos sacos com grãos legítimos.

O esquema foi descoberto em maio de 2022, quando funcionários de uma marca de café na Suíça encontraram cocaína misturada à carga. As autoridades suíças rastrearam a origem do contêiner até o Porto de Santos e acionaram a Polícia Federal brasileira, que iniciou a cooperação internacional.

Interrogado pela polícia, Santos confessou o crime, mas alegou ter agido sob coação. Ele afirmou que, no início de março de 2022, enquanto jogava futebol em um campo no Guarujá, foi abordado por dois homens desconhecidos. Os indivíduos tinham informações pessoais sobre ele, como nome, local de trabalho e função. Disseram que havia uma lista de contêineres que precisavam ser retirados ilegalmente do terminal e ofereceram R$ 250 mil para que ele colaborasse.

Segundo o ex-chefe, ele recusou a proposta inicialmente, mas os homens o ameaçaram, mostrando fotos de sua esposa e filho. Diante da pressão, ele aceitou participar e recebeu um celular para receber instruções. Após a contaminação do contêiner, devolveu o aparelho e não teve mais contato com os suspeitos. Santos afirmou que não recebeu o pagamento prometido.

Durante o cumprimento de um mandado de busca na residência de Santos, a polícia apreendeu um celular, mas não encontrou informações relacionadas ao período do crime. Há indícios de que ele tenha apagado os registros e trocado de número de telefone. Ele deixou o cargo no terminal logo após o episódio.

A Justiça Federal destacou que Santos não atuou como mula do tráfico, mas como peça fundamental para viabilizar a remessa da droga ao exterior. A sentença também observou que o crime foi cometido com o auxílio de outras pessoas, que não foram identificadas pela investigação. Esses indivíduos seriam os responsáveis por recrutar Santos, fornecer o celular e contaminar o contêiner no galpão.

Além da prisão em regime fechado, Santos foi condenado ao pagamento de multa de aproximadamente R$ 44 mil. A defesa do ex-chefe foi procurada pela reportagem, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

O caso ressalta a complexidade do combate ao tráfico internacional de drogas nos portos brasileiros, que exigem constante aperfeiçoamento dos mecanismos de fiscalização e cooperação entre países.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/chefe-facilitou-envio-cocaina-suica

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