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Santos

Júri popular decidirá sobre três PMs acusados de atirar em motoboy em Santos

Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a pronúncia de três policiais militares acusados de tentativa de homicídio contra o motoboy Evandro Alves da Silva durante a Operação Escudo, em 2023.

Imagem colorida do motoboy Evandro, baleado durante operação, com uma roupa de mototaxistaFoto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
14 de agosto de 202608:07
Atualizado há 4 horas às 11:07

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) confirmou, na quinta-feira (13/8), a decisão que levou três policiais militares a júri popular. Eles são acusados de tentativa de homicídio contra o motoboy Evandro Alves da Silva, baleado durante a Operação Escudo, na Baixada Santista, em 2023.

Os agentes Thiago Freitas da Silva, Daniel Pereira Noda e Carlos Vinícius da Silva Bruno respondem ao processo em liberdade. Na decisão, a juíza responsável destacou a existência de indícios suficientes de autoria e a materialidade do delito.

O caso ocorreu no Morro José Menino, em Santos, quando equipes da PM realizavam patrulhamento na região. Segundo a acusação, os policiais invadiram um imóvel alugado por Evandro, que servia de apoio para mototaxistas, e efetuaram disparos contra ele, que estava nu e desarmado no banheiro do local.

A versão apresentada pelos policiais à época era de que teriam visto o motoboy armado pela janela e que, por isso, atiraram. No entanto, as investigações apontaram que a arma atribuída a Evandro teria sido colocada no local depois dos disparos. A Promotoria de São Paulo sustentou que a arma foi "plantada" pela própria equipe policial.

Mesmo ferido, Evandro tentou escapar pela janela do banheiro e caiu de uma altura de aproximadamente sete metros. Ele foi atingido novamente e permaneceu mais de 20 dias em coma, mas sobreviveu. O motoboy chegou a ser preso em flagrante e investigado por resistência e porte ilegal de arma, mas o inquérito contra ele foi arquivado em dezembro de 2025.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo solicitou as imagens das câmeras corporais dos PMs e encaminhou o material ao Ministério Público. As gravações foram fundamentais para as conclusões da acusação.

A Operação Escudo foi deflagrada pelo governo estadual após a morte de um policial da Rota, com o objetivo de restabelecer a ordem pública na Baixada Santista. Levantamentos apontam que a ação resultou em alto número de mortes, muitas delas sem registro pelas câmeras corporais.

A reportagem procurou a defesa dos três policiais para comentar a decisão, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.

O julgamento será realizado pelo Tribunal do Júri, que decidirá sobre a responsabilidade dos acusados. A data da sessão ainda não foi definida.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/operacao-escudo-pms-motoboy-nu-juri

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