O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) confirmou, na quinta-feira (13/8), a decisão que levou três policiais militares a júri popular. Eles são acusados de tentativa de homicídio contra o motoboy Evandro Alves da Silva, baleado durante a Operação Escudo, na Baixada Santista, em 2023.
Os agentes Thiago Freitas da Silva, Daniel Pereira Noda e Carlos Vinícius da Silva Bruno respondem ao processo em liberdade. Na decisão, a juíza responsável destacou a existência de indícios suficientes de autoria e a materialidade do delito.
O caso ocorreu no Morro José Menino, em Santos, quando equipes da PM realizavam patrulhamento na região. Segundo a acusação, os policiais invadiram um imóvel alugado por Evandro, que servia de apoio para mototaxistas, e efetuaram disparos contra ele, que estava nu e desarmado no banheiro do local.
A versão apresentada pelos policiais à época era de que teriam visto o motoboy armado pela janela e que, por isso, atiraram. No entanto, as investigações apontaram que a arma atribuída a Evandro teria sido colocada no local depois dos disparos. A Promotoria de São Paulo sustentou que a arma foi "plantada" pela própria equipe policial.
Mesmo ferido, Evandro tentou escapar pela janela do banheiro e caiu de uma altura de aproximadamente sete metros. Ele foi atingido novamente e permaneceu mais de 20 dias em coma, mas sobreviveu. O motoboy chegou a ser preso em flagrante e investigado por resistência e porte ilegal de arma, mas o inquérito contra ele foi arquivado em dezembro de 2025.
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo solicitou as imagens das câmeras corporais dos PMs e encaminhou o material ao Ministério Público. As gravações foram fundamentais para as conclusões da acusação.
A Operação Escudo foi deflagrada pelo governo estadual após a morte de um policial da Rota, com o objetivo de restabelecer a ordem pública na Baixada Santista. Levantamentos apontam que a ação resultou em alto número de mortes, muitas delas sem registro pelas câmeras corporais.
A reportagem procurou a defesa dos três policiais para comentar a decisão, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.
O julgamento será realizado pelo Tribunal do Júri, que decidirá sobre a responsabilidade dos acusados. A data da sessão ainda não foi definida.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/operacao-escudo-pms-motoboy-nu-juri

