O segundo dia de paralisação dos caminhoneiros no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, foi marcado por um confronto entre manifestantes e policiais militares na região da Alemoa, principal acesso ao porto. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra um homem trocando socos com PMs e, depois de contido, recebendo um golpe na cabeça. Também é possível ver agentes apontando armas para os populares.
O protesto, que começou na segunda-feira (13), tem como objetivo pressionar o Senado a votar a Medida Provisória (MP) 1.343, que estabelece um piso mínimo para o frete do transporte rodoviário de cargas. A categoria reivindica a aprovação da medida antes do prazo de validade, que expira na próxima quinta-feira (16).
Em nota, o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista (SINDICAM-Santos) classificou o episódio de confronto como um caso isolado e afirmou que a mobilização ocorre de forma pacífica. A entidade também informou que não há previsão para encerrar a paralisação, uma vez que os objetivos ainda não foram alcançados.
“Nossa mobilização é legítima, pacífica e tem como finalidade a defesa dos direitos da categoria, que há muito tempo vêm sendo reivindicados e, infelizmente, não têm sido plenamente atendidos. Reafirmamos nosso compromisso com o diálogo e esperamos que as negociações avancem para que possamos alcançar uma solução justa e encerrar a paralisação o mais breve possível”, diz a nota do sindicato.
A paralisação também causou reflexos no trânsito. Caminhões que tentavam acessar os pátios reguladores da Baixada Santista provocaram congestionamento em trechos do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) na manhã desta terça-feira (14). A Ecovias, concessionária que administra o sistema, adotou o Plano de Contingência para gerenciar o tráfego, direcionando os veículos pesados para a Interligação Planalto, onde eram retidos temporariamente.
A Ecovias informou que o plano é acionado em situações de interdição prolongada ou quando não há perspectiva de normalização das condições de tráfego. A liberação dos caminhões ocorria de forma gradual, conforme a melhora no fluxo.
A MP 1.343, editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em março, define regras para o transporte rodoviário de cargas, incluindo o cadastramento das operações, a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e medidas para garantir o cumprimento do piso mínimo do frete. Os caminhoneiros cobram do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a votação da norma, que atende a demandas antigas da classe.
Segundo Alcolumbre, os caminhoneiros podem ampliar a greve para todo o país caso a MP não seja votada e perca a validade. A mobilização, organizada por grupos de WhatsApp e redes sociais, pode se estender nacionalmente.
A Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo foram procuradas para comentar o confronto, mas não se manifestaram até a publicação desta matéria. O Senado também não respondeu aos pedidos de posicionamento.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/paralisacao-no-porto-de-santos-tem-confronto-entre-caminhoneiros-e-pms


