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São Paulo

Vereador petista preso por suspeita de lavar dinheiro do PCC alegava pobreza para não pagar IPTU

Senival Moura (PT), vereador de São Paulo, foi preso acusado de movimentar R$ 4,3 milhões em esquema com empresa de ônibus ligada ao PCC, mas na Justiça alegou falta de recursos para quitar dívida de IPTU.

Foto: Reprodução

Raphael Nogueira Felix
26 de junho de 202602:18
Atualizado agora há pouco às 05:18

O vereador Senival Moura (PT), da cidade de São Paulo, foi preso na última quinta-feira (25) sob acusação de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Segundo a investigação da Polícia Civil, ele teria movimentado cerca de R$ 4,3 milhões por meio de uma empresa de transporte público.

A empresa, a Transunião Transportes S.A., teria sido usada para lavar recursos provenientes de atividades ilícitas, supostamente vinculadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O parlamentar é apontado como o principal responsável pela instrumentalização da companhia, que chegou a operar 50 linhas de ônibus na zona leste da capital.

Paralelamente, Senival Moura enfrentava uma ação judicial movida pela prefeitura por uma dívida de IPTU no valor de R$ 69 mil, referente a um imóvel em Guaianases, na zona leste. Na ocasião, ele alegou falta de dinheiro para pagar o tributo e pediu isenção com base na alegação de que o imóvel estaria em área sujeita a enchentes.

A dívida se arrastava desde 2006, e o vereador foi inscrito na Dívida Ativa do município em 2022. A ação foi movida uma semana após o último pagamento recebido do esquema criminoso, conforme monitoramento policial.

As investigações revelaram que a Transunião passou por diversas alterações societárias entre 2015 e 2019, com aumento de capital de R$ 100 mil para R$ 50 milhões, visando se habilitar para concessões públicas. Senival Moura também é proprietário de veículos usados em cooperativas de transporte, segundo relatórios da polícia.

Planilhas digitais apreendidas indicavam uma separação entre os donos formais dos ônibus, chamados de 'cooperados', e os reais beneficiários econômicos, denominados 'cooperados oficiais'. A defesa do vereador nega qualquer participação nos crimes e afirma que a investigação comprovará sua inocência.

O caso levanta questionamentos sobre a relação entre o poder público e empresas de transporte, além de expor a complexidade dos esquemas de lavagem de dinheiro que envolvem políticos e organizações criminosas. A prisão de Senival Moura ocorre em meio a um cenário de endurecimento no combate à criminalidade organizada no estado de São Paulo.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/petista-4-milhoes-pobreza

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