O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) abriu ao público uma exposição que propõe um olhar diferente sobre a Amazônia. Em vez de focar nas dimensões continentais do bioma, a mostra “Amazônia: Descobertas” coloca as pequenas espécies como protagonistas. Insetos, anfíbios, aves e outros animais de porte reduzido são apresentados como peças fundamentais para a megabiodiversidade da região.
A exposição fica em cartaz até maio de 2027, com entrada gratuita de terça a domingo, das 10h às 17h. Segundo o diretor do museu, Luís Fábio Silveira, a ideia surgiu em 2025, quando a Amazônia esteve em evidência por causa da COP30, realizada no Pará. “Descobrir a Amazônia foi o grande desafio, onde tudo é extenso e grande. A exposição inverte a lógica: os pequenos animais são os protagonistas”, afirmou.
Entre os destaques estão os insetos, como dípteros (moscas e mosquitos), que apesar de medirem cerca de 3 centímetros, são chamados de “gigantes amazônicos” por sua importância ecológica. Eles desempenham papéis essenciais como polinizadores, predadores e elos nas cadeias alimentares, além de terem relevância médica e econômica – incluindo espécies transmissoras de doenças como malária e dengue.
A mostra também apresenta aves típicas da Amazônia, como o galo-da-serra e o frifrió. O Brasil possui mais de 2 mil espécies de aves registradas, sendo mais de mil encontradas no bioma amazônico. A exposição inclui exemplares dessas espécies, permitindo ao público observar detalhes de sua morfologia e plumagem.
Um dos diferenciais da exposição é o foco em acessibilidade. Os itens estão posicionados em altura reduzida para facilitar a visualização por pessoas em cadeiras de rodas e crianças. O percurso inclui recursos táteis, modelos ampliados e uma atividade sensorial em que o visitante pode tocar em texturas que simulam a pele de animais amazônicos, sem enxergar qual é a espécie. Placas explicativas em braile também estão disponíveis.
Outra atração é a possibilidade de o público participar da escolha do nome de uma nova espécie de besouro-de-correnteza, descoberta em parceria entre o museu e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O inseto, da família Elmidae, mede entre 1 e 8 milímetros e vive em riachos e igarapés da Amazônia. Os visitantes podem votar entre três nomes sugeridos: Heterelmis iacamiabas, Heterelmis waimiriatroari e Heterelmis kinja, cada um com significados ligados a lendas e povos indígenas da região.
Segundo a curadora Maria Isabel Landim, chefe da Divisão de Difusão Cultural, o museu busca ser um espaço de interação multidisciplinar. “Nós somos um museu que tem voz própria”, disse. A exposição conta ainda com uma “rede social analógica”, onde os visitantes podem escrever suas impressões em post-its.
O Museu de Zoologia da USP, que recebe cerca de 2 mil pessoas por dia, mantém entrada gratuita como forma de incentivar a visitação. Sua coleção conta com mais de 12 milhões de espécimes, sendo referência em pesquisa e conservação da biodiversidade.
Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/exposicao-no-museu-de-zoologia-explora-a-grandiosidade-da-amazonia-a-partir-das-pequenas-especies/


