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São Paulo

Pesquisa paulista busca reduzir antibióticos na criação de tilápias com vacinas e seleção genética

Instituto de Pesca de SP desenvolve soluções preventivas para sanidade na piscicultura, com foco em vacinas, diagnóstico rápido e melhoramento genético.

Pesquisadores do Instituto de Pesca de SP desenvolvem vacinas e seleção genética para reduzir uso de antibióticos na criação de tilápias. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
28 de junho de 202614:58
Atualizado agora há pouco às 17:58

O Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está à frente de um projeto que visa transformar a sanidade na piscicultura brasileira. A iniciativa, chamada Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sanidade em Piscicultura (CCD Sanidade), tem como objetivo reduzir o uso de antibióticos e fortalecer a prevenção de doenças.

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o CCD Sanidade reúne instituições como a Unesp, a USP (FZEA), o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), o Instituto Biológico, o Instituto Butantan e a empresa Loccus. Juntos, eles buscam alternativas sustentáveis para um dos setores aquícolas mais importantes do país.

A tilápia (Oreochromis niloticus) é a espécie mais cultivada no Brasil, respondendo por mais de 68% da produção nacional de peixes de cultivo, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR). No estado de São Paulo, a produção ultrapassou 88 mil toneladas em 2025, o que demonstra a relevância econômica da atividade.

No entanto, o crescimento acelerado da tilapicultura traz desafios sanitários. Doenças causadas por bactérias como Francisella orientalis e vírus como o Megalocytivirus pagrus1 (subtipo ISKNV) têm provocado altas taxas de mortalidade e prejuízos aos produtores. Tradicionalmente, o controle dessas enfermidades é feito com antibióticos, mas o uso excessivo tem gerado resistência bacteriana, um problema global de saúde única.

Para enfrentar esse cenário, o CCD Sanidade aposta em três frentes principais: desenvolvimento de vacinas, diagnóstico rápido e seleção genética de peixes mais resistentes. As vacinas em estudo incluem versões inativadas e de DNA, que podem ser aplicadas por injeção ou via alimentação, facilitando a adoção pelos produtores.

Outra estratégia é a seleção genética de linhagens de tilápia com maior capacidade natural de sobreviver a infecções. Paralelamente, estão sendo desenvolvidos kits de diagnóstico rápido para detectar precocemente a presença dos patógenos em campo, permitindo ações imediatas.

O pesquisador do IP Leonardo Tachibana destaca que a solução não está em tratar mais, mas em prevenir melhor. "Precisamos reduzir a dependência de antibióticos e oferecer alternativas sustentáveis ao produtor", afirma. A abordagem integrada do projeto beneficia não apenas os piscicultores, mas toda a cadeia produtiva, ao promover uma atividade mais segura e sustentável.

O Instituto de Pesca, vinculado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), tem como missão gerar soluções científicas e tecnológicas para o desenvolvimento sustentável da pesca e aquicultura. Com o CCD Sanidade, a expectativa é que os resultados contribuam para a consolidação do Brasil como referência em piscicultura responsável.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/pesca-sustentavel-tilapicultura-brasileira/

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