UrgenteVereador paulistano preso por suspeita de ligação com PCC movimentou R$ 2,3 milhões sem origem declarada
← Voltar

São Paulo

Vereador paulistano preso por suspeita de ligação com PCC movimentou R$ 2,3 milhões sem origem declarada

Senival Moura (PT), preso na quinta-feira (25), é investigado por lavagem de dinheiro do PCC via empresa de ônibus. Depósitos em espécie somam R$ 250 mil em três anos.

Raphael Nogueira Felix
1 de julho de 202622:53
Atualizado agora há pouco às 23:19

A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público Estadual apontam que o vereador Senival Moura (PT), detido na última quinta-feira (25), recebeu pelo menos R$ 250 mil em depósitos em espécie entre janeiro de 2019 e maio de 2022. As investigações indicam que o parlamentar, que cumpre o sexto mandato na Câmara Municipal, movimentou aproximadamente R$ 2,3 milhões em recursos sem origem declarada no mesmo período.

De acordo com a representação que embasou a operação Última Parada, Senival seria beneficiário de um esquema de lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da concessionária de transporte público Transunião. A empresa teria sido usada para repassar valores ao vereador, que presidia a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara.

Além dos depósitos em espécie, a análise financeira revelou R$ 81 mil em cheques – entre devolvidos e depositados – e outros gastos não especificados. A polícia destaca a discrepância entre a capacidade econômica formal do vereador, seu patrimônio declarado e a circulação real de valores, o que reforça as suspeitas de irregularidades.

O relatório policial também relaciona as transações ao assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor da Transunião, ocorrido em 2020 em uma padaria na zona leste de São Paulo. Segundo a investigação, o homicídio teria sido uma retaliação do PCC a supostos desvios de dinheiro da facção cometidos por Adauto e Senival. O vereador, porém, teria sido poupado pelos criminosos.

Mensagens de WhatsApp encontradas no celular de Adauto indicam que movimentações financeiras informais e repasses de grandes quantias dependiam da autorização de Senival, referido nos diálogos como "veio", "extrema" e "presidente". Em uma das conversas, um suspeito de ser operador do esquema pede "5.000 amanhã sem falta" e menciona o "presidente de novo lá em extrema".

A polícia interpreta "extrema" como referência à cidade de Extrema, em Minas Gerais, onde Senival possui um imóvel de alto padrão. A residência reforça a ligação entre o vereador e as mensagens, segundo os investigadores.

As apurações prosseguem para esclarecer a participação de Senival no esquema e a origem dos recursos movimentados. A defesa do vereador ainda não se manifestou sobre as acusações.

Fonte de referência: www.metropoles.com — https://www.metropoles.com/sao-paulo/vereador-preso-recebeu-r-250-mil-em-depositos-em-especie-em-3-anos

Senival MouraPCClavagem de dinheiroCâmara de São PauloTransuniãoia-auto