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São Paulo

Prefeito de SP diz que não cabe a ele julgar suspeitas de ligação de ONG com facção criminosa

Ricardo Nunes afirmou que a Prefeitura não tem acesso a contratos firmados pela ONG Instituto Conhecer Brasil com subcontratadas, após investigação apontar possível envolvimento com o PCC.

Raphael Nogueira Felix
1 de julho de 202622:50
Atualizado agora há pouco às 23:19

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), declarou nesta terça-feira (30) que a administração municipal não tem acesso aos contratos assinados pela ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) com empresas subcontratadas. A declaração ocorre após investigação do Ministério Público Estadual apontar que uma das subcontratadas teria ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O ICB foi contratado pela gestão municipal por R$ 108 milhões para instalar pontos de wi-fi na capital. De acordo com a apuração, a entidade teria repassado R$ 12 milhões à empresa Favela Conectada, cujo proprietário, Alex Leandro Bispo, é suspeito de integrar a facção criminosa. Bispo teria se envolvido com o crime organizado durante o cumprimento de pena em presídios dominados pelo PCC.

“O contrato é com a entidade que está prestando o serviço. Quem a entidade contrata, a gente não tem nem acesso a isso. Agora, se obviamente tem o envolvimento de alguém ligado ao PCC, tem que ser julgado pela Justiça, condenado e preso. Eu não sou juiz, eu sou prefeito”, afirmou Nunes durante agenda oficial.

A Favela Conectada foi contratada pelo ICB para realizar serviços de manutenção dos pontos de internet, recebendo R$ 712 por mês por cada ponto. Em um dos pagamentos, a empresa recebeu o equivalente a 12 mensalidades de manutenção para 218 pontos instalados entre 22 e 28 de abril de 2025, em um contrato que vigoraria apenas até 30 de junho – ou seja, o serviço funcionou por pouco mais de dois meses, mas foi pago por 12 meses.

Enquanto a prefeitura pagou R$ 2,7 milhões à ONG pela manutenção de 128 pontos, o custo efetivo do serviço que chegou à população foi de apenas R$ 273 mil, considerando o valor de R$ 712 por ponto. No total, a Favela Conectada foi contratada para instalar 2.000 pontos.

O contrato entre o ICB e a Favela Conectada apresenta a assinatura apenas como “Alex” e CPF “XXX”, sem identificação completa. Posteriormente, o nome completo e CPF de Alex Leandro Bispo dos Santos aparecem em um termo de operação de dados, assinado também por Maria Katiane Gomes da Silva, ex-companheira de Bispo que foi morta após ser jogada do 10º andar de um prédio.

A Polícia Civil investiga se houve desvio dos R$ 108 milhões do contrato. Uma das hipóteses é que parte dos recursos tenha financiado o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, cuja produtora Go Up Entertainment tem como sócia Karina Gama, presidente do ICB.

A Operação Wi-Fi, da Polícia Civil, aponta que a prefeitura pagou um valor 230% superior ao de mercado para o ICB. Enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou R$ 1.800 fixos por ponto.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que o custo estimado na parceria para 2026 é de R$ 1.280 por ponto/mês, valor que considera “significativamente menor” do que as propostas recebidas em 2022, que giravam entre R$ 2.026 e R$ 5.092 por ponto/mês. O ICB, por sua vez, disse que não adota práticas discriminatórias e que rescindiu o contrato com a Favela Conectada em dezembro de 2025, assim que tomou conhecimento da investigação sobre o feminicídio envolvendo o administrador da empresa.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nao-sou-juiz-sou-prefeito-diz-nunes-sobre-suspeitas-com-ong-de-dark-horse

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