Um dos brasileiros sancionados pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) já havia sido condenado pela Justiça Federal de São Paulo. Victor Henrique de Oliveira Shimada, proprietário da Victory Trading, foi sentenciado a três anos de prisão por lavagem de dinheiro em julho de 2025.
A condenação ocorreu após a Justiça apurar que Shimada recebeu R$ 35 milhões de uma conta do Banco Votorantim por meio de 2.799 transferências realizadas em apenas 11 horas. O dinheiro foi direcionado para uma conta da Victory Trading, empresa que também foi alvo das sanções americanas.
O juiz Massimo Palazzolo, da 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, absolveu Shimada da acusação de furto qualificado, mas o considerou culpado por lavagem de dinheiro. A defesa do empresário não foi localizada para comentar a decisão.
As sanções dos EUA, anunciadas em 1º de julho de 2026, bloquearam bens e ativos de Shimada, de sua empresa e de outros envolvidos em território americano. Cidadãos e empresas dos Estados Unidos estão proibidos de realizar negócios com os sancionados, sob pena de sanções secundárias.
Segundo o Departamento do Tesouro americano, Shimada atuava como elo entre agentes do PCC baseados na Flórida e traficantes internacionais. A organização dele teria lavado mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos, utilizando criptomoedas para transferir os recursos ao Brasil.
A Victory Trading também é investigada no escândalo da Vai de Bet, que envolve o Corinthians. A empresa teria atuado como intermediária em um esquema fraudulento de patrocínio, desviando parte dos R$ 370 milhões do contrato com a casa de apostas.
O caso teve origem na delação de Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto de Guarulhos. As investigações correm em paralelo com a Polícia Federal e agências internacionais, devido à complexidade transnacional da fraude.
Shimada chegou a ser preso em dezembro de 2024, mas foi solto menos de um mês depois. Ele nega as acusações. As sanções americanas também atingiram Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, apontada como líder do grupo na Flórida, e outras empresas brasileiras e portuguesas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/alvo-eua-condenado-transferir-milhoes


