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São Paulo

Empresa sancionada pelos EUA por vínculo com PCC aparece em esquema de lavagem no Corinthians

A Victory Trading, alvo de sanções americanas por ligação com o PCC, foi usada para intermediar recursos desviados do patrocínio da Vai de Bet ao Corinthians, segundo investigações.

Raphael Nogueira Felix
1 de julho de 202619:34
Atualizado agora há pouco às 23:19

Uma empresa sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) está no centro do escândalo financeiro envolvendo o Corinthians e a patrocinadora Vai de Bet. A Victory Trading, controlada por Victor Shimada, teria atuado como intermediária em um esquema de lavagem de dinheiro que desviou recursos do clube paulista.

As sanções americanas, anunciadas nesta quarta-feira (1º/7), atingiram dois brasileiros, três empresas nacionais e uma portuguesa. Entre os alvos está a Victory Trading, que o governo dos EUA aponta como parte de uma rede de lavagem de dinheiro do PCC operando a partir da Flórida e de São Paulo.

Sem citar nominalmente o Corinthians, o Tesouro americano mencionou que Victor Shimada foi preso em janeiro de 2025 pela Polícia Federal sob acusação de lavar dinheiro ilícito de um clube de futebol brasileiro em um esquema fraudulento de patrocínio. Shimada foi solto duas semanas depois.

As investigações sobre lavagem de dinheiro no clube paulistano tiveram origem na delação de Vinícius Gritzbach, assassinado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A Victory Trading era usada como empresa intermediária para dificultar o rastreio dos valores desviados.

Em janeiro de 2024, o Corinthians anunciou o patrocínio da Vai de Bet, no valor de R$ 370 milhões por três anos. Pouco depois, investigadores descobriram que parte desse montante, cerca de R$ 25 milhões, seria transferido a uma empresa intermediária. O dinheiro percorria uma teia de empresas até chegar à UJ Football, companhia criada para representar atletas e citada por Gritzbach na delação contra o PCC.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Shimada e sua organização lavaram mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos gerados nos Estados Unidos, utilizando criptomoedas para transferir fundos ao Brasil em nome do PCC. Em janeiro de 2026, o FBI prendeu seis membros do grupo sediado na Flórida por suspeita de lavagem de dinheiro.

Com as sanções, todos os bens e ativos dos alvos nos EUA ficam bloqueados, e cidadãos e empresas americanas estão proibidos de fazer negócios com eles. Instituições financeiras estrangeiras que continuarem a realizar transações com os sancionados ficam sujeitas a sanções secundárias.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/sancionada-eua-pcc-corinthians

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