A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3/7) a Operação Exchange, que investiga o braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). As apurações apontam que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 10,3 bilhões por meio de empresas de fachada e utilizava codinomes em aplicativos criptografados para negociar drogas.
Segundo a Justiça Federal, Ygor Fokin Saviolli e Gabriel Innocente são dois dos principais alvos da operação. Eles são acusados de liderar a logística e a negociação de entorpecentes, especialmente haxixe. Para dificultar a ação policial, os investigados usavam termos como “iPhone” para se referir ao haxixe, “flor” para maconha de alta qualidade e “ice” para haxixe produzido com água gelada.
Victor Henrique de Oliveira Shimada, sócio da Victory – empresa envolvida em escândalo relacionado ao Corinthians e à casa de apostas Vai de Bet –, é apontado como coordenador logístico do esquema. Ele é um dos dois brasileiros sancionados pelo Departamento do Tesouro dos EUA por suposta ligação com o PCC. A outra é Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa na operação e descrita como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro para a facção.
As investigações revelaram que as drogas eram enviadas ao Brasil pelos Correios, com fornecedores internacionais. Um dos principais destinos era o Rio de Janeiro, onde o haxixe poderia ser vendido a até R$ 150 o grama, segundo mensagens interceptadas. Os diálogos mostram ainda discussões sobre rotas de envio, pagamentos e estratégias para evitar suspeitas.
O dinheiro obtido com o tráfico era direcionado a empresas de fachada, como a HI Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda., que recebia depósitos ilícitos e dava aparência de legalidade aos recursos. A estrutura empresarial era peça central do esquema financeiro da organização criminosa, de acordo com a PF.
A defesa de Victor Shimada informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais e que adotará as medidas cabíveis. As defesas dos demais investigados foram procuradas, mas não se manifestaram até o momento.
As sanções dos EUA, aplicadas na quarta-feira (1º/7), bloqueiam bens e ativos dos alvos no país e proíbem cidadãos e empresas norte-americanas de negociar com eles. Instituições financeiras estrangeiras que continuarem a realizar transações com os sancionados podem sofrer sanções secundárias.
O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que o órgão não possui informações que relacionem Victor Shimada e Stella Stefanie ao PCC, contrariando as alegações das autoridades americanas.


Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haxixe-era-iphone-em-esquema-que-envolvia-alvo-de-sancao-dos-eua


