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São Paulo

Servidora que analisou contratos da Cracolândia tem filha contratada por R$ 30 mil

Funcionária da Secretaria de Saúde de SP participou da seleção de entidade que depois empregou sua filha como médica; caso é investigado.

Servidora da Secretaria de Saúde de SP que analisou contratos da Cracolândia teve filha contratada por R$ 30 mil. Caso é investigado. Foto: metropoles.com

Raphael Nogueira Felix
4 de julho de 202607:40
Atualizado agora há pouco às 10:40

A Prefeitura de São Paulo abriu uma sindicância para apurar possível nepotismo no serviço de saúde voltado à população da Cracolândia. Uma servidora da Secretaria Municipal de Saúde, que atuou na análise de propostas de entidades interessadas em prestar atendimento na região, teve a filha contratada pela organização vencedora do processo seletivo.

De acordo com informações apuradas, a funcionária Paulete Secco Zular integrou a comissão responsável por avaliar os documentos das concorrentes ao chamamento público que escolheu a Associação Filantrópica Nova Esperança (Afne) para operar unidades de saúde nos bairros Santa Cecília e Sé, áreas que concentram o atendimento a dependentes químicos da Cracolândia.

A filha de Paulete, que é médica, passou a receber remuneração mensal superior a R$ 30 mil da Afne, conforme dados da folha de pagamento de maio de 2026 divulgados no Portal de Transparência da entidade. O valor chega a ultrapassar R$ 31 mil, segundo o registro.

O caso gerou uma denúncia formal de servidores públicos ao vice-prefeito, Coronel Mello Araújo (PL), que a encaminhou para os órgãos competentes. A Corregedoria Geral do Município instaurou uma sindicância em 2025, que ainda está em andamento.

Em março deste ano, a investigação interna da Prefeitura recomendou a suspensão da Afne, mas a entidade conseguiu reverter a medida por meio de uma liminar judicial. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve a decisão que permite à organização continuar operando os serviços.

Em nota, a Afne afirmou que as alegações de nepotismo já foram esclarecidas perante os órgãos competentes e que a entidade abriu um inquérito contra os denunciantes por denunciação caluniosa.

A região da Cracolândia passou por transformações recentes. Em maio de 2025, o fluxo de dependentes químicos que se concentrava em grandes aglomerações foi dispersado. Desde então, os usuários têm se deslocado pelo centro em pequenos grupos. A medida ocorreu em meio à intensificação de internações voluntárias e compulsórias, além de relatos de violência policial.

A situação levanta questionamentos sobre a transparência e a lisura dos processos de contratação de organizações sociais para atender áreas sensíveis da cidade. A sindicância em curso busca esclarecer se houve favorecimento ou conflito de interesses na seleção da entidade.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/cracolandia-medica-mae

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