O governo do estado de São Paulo suspendeu a permissão para que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, ofereça crédito consignado a servidores públicos paulistas. A decisão foi publicada no Diário Oficial poucos dias após a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, que atingiu a instituição financeira.
A operação, ocorrida em 23 de junho, determinou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. Em 29 de junho, o secretário de Gestão e Governo Digital, Caio Maio Paes de Andrade, assinou a suspensão cautelar de novos créditos consignados pelo Digimais.
A medida foi baseada em legislação que permite sanções administrativas em casos de 'extrema urgência'. O governo estadual não detalhou os motivos específicos, mas a ação ocorre em meio a investigações sobre a saúde financeira do banco.
Em junho de 2025, o mesmo secretário havia autorizado o credenciamento do Digimais para operar consignados, incluindo para policiais militares de São Paulo. O acordo, publicado em setembro de 2025, abriu uma clientela potencial de mais de 80 mil agentes ativos da PM.
Dois anos antes, a Secretaria da Fazenda havia negado pedido do banco para fornecer consignados. A mudança de posição ocorreu quando o assunto migrou de pasta, o que gerou críticas da oposição contra a gestão Tarcísio de Freitas.
O Digimais enfrentava problemas financeiros antes mesmo da autorização. Relatórios de 2024 e 2025 apontaram alta inadimplência, corroendo o patrimônio e exigindo aportes recorrentes de Edir Macedo para evitar quebra técnica. Em setembro de 2025, o banco acumulava prejuízo de R$ 250 milhões, valor que chegou a quase R$ 500 milhões em fevereiro de 2026.
Em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou acordo para compra do Digimais. A negociação anterior com o BlueBank, do empresário Maurício Quadrado, não avançou devido à piora do cenário econômico e resistência do Banco Central.
O governo de São Paulo informou que a suspensão é cautelar e que o Digimais representava apenas 1,57% do total de operações consignadas do estado em maio de 2026. A pasta destacou que o credenciamento é um ato vinculado ao cumprimento de requisitos objetivos, e que, na época, o banco atendia a todas as exigências, inclusive perante o Banco Central.
A operação da PF e a suspensão do consignado ocorrem em meio a conexões entre a Igreja Universal, controladora do Digimais, e o partido Republicanos, do governador Tarcísio de Freitas. A igreja tem aprofundado relações com a PM paulista nos últimos anos.
A situação do Digimais continua sendo monitorada pelo mercado e pelas autoridades, enquanto o BTG Pactual avalia os próximos passos da aquisição.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/apos-operacao-da-pf-governo-de-sp-suspende-consignados-do-digimais


