O Grupo Itajobi, que controla as usinas de cana-de-açúcar Itajobi, Carolo e Rio Pardo, apresentou um pedido de mediação empresarial para renegociar uma dívida estimada em R$ 3,7 bilhões. O grupo é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As usinas foram citadas na Operação Carbono Oculto como parte da expansão dos negócios de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, no setor sucroalcooleiro. Segundo o MPSP, o empresário teria usado um pseudônimo para ocultar sua identidade e sua conexão com as empresas.
A investigação aponta que as usinas foram adquiridas por meio de um fundo de investimento que se comprometeria a quitar dívidas e indenizar propriedades arrendadas. O grupo também é suspeito de movimentar R$ 100 milhões para o Radford Fundo de Investimento por meio do BK Bank, fintech investigada por lavagem de dinheiro para o PCC.
De acordo com o MPSP, o grupo criminoso controlado por Mourad teria comprado cana-de-açúcar com sobrepreço para gerar créditos tributários fraudulentos. O valor inflado do insumo permitia abater impostos de outras etapas da cadeia produtiva do combustível.
O pedido de reestruturação foi protocolado no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de São José do Rio Preto. O advogado William Matheus Martinez, que representa as usinas, afirmou que a apuração da Operação Carbono Oculto não impede a mediação.
"Não há nenhum comando judicial contrário e nenhuma sentença condenatória contra as usinas", disse Martinez. Ele destacou que o objetivo da reestruturação é preservar os cerca de 3 mil empregos gerados pelas usinas e que as empresas cumprem função social nos municípios onde atuam.
As usinas estão localizadas em Marapoama, Pontal, Morro Agudo, Cerqueira César e Avaré, no interior de São Paulo. A reestruturação busca negociar as dívidas com os credores sem recorrer à recuperação judicial, embora essa possibilidade não esteja descartada. Os principais débitos são decorrentes de recuperações judiciais anteriores, especialmente da Usina Carolo.
O caso segue sob investigação do MPSP, que apura o suposto esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal envolvendo o PCC e o setor sucroalcooleiro.
Atualização:
https://diarioesp.com.br/educacao/2026/07/21/defesa-afirma-que-roberto-leme-e-mohamad-mourad-nao-possuem-qualquer-ligacao-com-o-pcc.html
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/usinas-pcc-divida-bilionaria


