O Sistema Cantareira, principal manancial da região metropolitana de São Paulo, enfrenta mais um período de estiagem rigorosa. Entre o início de julho e o último domingo (26), os reservatórios perderam 25 bilhões de litros, e o nível atual é de apenas 37,2% da capacidade total. A expectativa é que o sistema permaneça na faixa de alerta durante todo o mês de agosto, o que impõe restrições na captação de água para as cidades da Grande São Paulo.
De acordo com as regras da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), quando o volume útil do Cantareira fica entre 30% e 40%, a Sabesp está autorizada a retirar até 27 metros cúbicos por segundo (m³/s), além da vazão transposta da Usina Hidrelétrica Jaguari, da bacia do Rio Paraíba do Sul, que também abastece o Rio de Janeiro. A medição oficial que definirá a classificação de agosto será feita na próxima sexta-feira (31).
A perda de água ao longo da estação seca é considerada normal para a região, mas a recuperação esperada só deve ocorrer a partir de outubro, quando começa o período chuvoso. No entanto, a influência do fenômeno El Niño pode atrasar ou reduzir as chuvas, prolongando a situação crítica.
Até o último domingo, o Cantareira registrou apenas 11,7 mm de chuva em julho, muito abaixo da média histórica de 42,4 mm para o mês. Esse déficit hídrico reflete diretamente na vazão afluente — a quantidade de água que chega às represas. Com apenas 15,3 m³/s, a vazão está bem abaixo da média histórica de 26,6 m³/s.
O volume acumulado no fim de julho é inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando já havia preocupação. Na ocasião, os reservatórios contavam com 413 bilhões de litros, ante 365 bilhões atuais. A diferença de 48 bilhões de litros equivale ao consumo de aproximadamente três semanas da região metropolitana.
Numa perspectiva mais ampla, o Cantareira vem perdendo água ano a ano desde 2023. Naquele ano, o volume era de 781,9 bilhões de litros, mais que o dobro do atual. Apesar da redução, a situação em 2026 é menos grave do que em 2015, no auge da crise hídrica, quando o sistema operou com volume morto e registrou déficit de 102 bilhões de litros em relação ao início do volume útil.
Um alívio parcial vem dos demais reservatórios que compõem o Sistema Integrado Metropolitano (SIM). Eles operam com 48,9% da capacidade total, índice melhor que os 46,1% do mesmo período do ano passado. Como os sistemas são interligados, as represas do Guarapiranga e do Alto Tietê precisam suprir a deficiência do Cantareira, o que acelera o esvaziamento desses mananciais.
A Sabesp e a ANA monitoram constantemente os níveis e podem ajustar as regras de captação se houver piora. Enquanto as chuvas não voltam ao normal, a recomendação é que a população mantenha o uso consciente da água para evitar um colapso no abastecimento.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nivel-do-cantareira-deve-continuar-na-faixa-de-alerta-em-agosto

