A família do ajudante de pedreiro Hugo Aparecido Tomé, de 23 anos, viveu momentos de consternação e revolta durante o velório no Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo, na última quinta-feira (30/7). Os parentes denunciam que a funerária Cortel São Paulo apresentou o corpo de um desconhecido no caixão como se fosse o do jovem, que morreu dois dias antes após bater a cabeça em uma partida de futebol.
Hugo morreu na terça-feira (28/7) depois de cair e bater a cabeça durante uma partida com amigos. O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) e a família contratou a Cortel São Paulo, concessionária responsável pelo cemitério, pelo valor de R$ 6.751,30. O próprio irmão do jovem afirma ter feito o reconhecimento para liberação.
No dia do velório, uma tia de Hugo chegou primeiro e percebeu que o corpo não era o do sobrinho. Ao questionar uma funcionária, ouviu que ela estaria abalada. A funcionária insistiu que o corpo era o correto, mesmo com a família afirmando o contrário. Foi preciso apresentar uma foto do documento do rapaz para que os funcionários reconhecessem a troca.
"A moça falou pra minha irmã: 'Não, é que a senhora está emocionada, a senhora está muito abalada, né?'. Ela respondeu: 'Não, não é, não é o meu sobrinho. Esse aqui não é o Hugo. E essa camisa que ele está usando não foi a que a gente deixou lá. A gente deixou lá uma camisa do Corinthians pra ele, pra ele ser enterrado com a roupa do Corinthians'", contou a aposentada Celia Santos, outra tia do jovem.
Somente após a apresentação da foto do documento, os funcionários se convenceram do engano. O corpo de Hugo ainda estava na clínica onde os corpos são preparados para os velórios. O jovem só foi levado à cerimônia por volta das 11h, quando a previsão era que o velório ocorresse entre 8h e 12h.
Quando chegou, Hugo estava em um caixão de papelão, diferente da urna contratada pela família. O caixão comprado estava sendo usado pelo outro morto. Além disso, os funcionários queriam fazer a troca do corpo na própria sala de cerimônia, o que a família recusou veementemente. A situação só foi resolvida quando o corpo foi transferido para o caixão correto em outro local.
Depois de todo o estresse, o jovem foi velado e sepultado. Os familiares registraram boletim de ocorrência e o caso será investigado pelo 38º Distrito Policial (Vila Amália). A Cortel São Paulo teria se comprometido a devolver os valores pagos, mas a família pretende acionar a Justiça.
A tia de Hugo lamentou o episódio: "Foi uma coisa assim que eu não desejo a ninguém passar". O Metrópoles tentou contato com a Cortel São Paulo por telefone, e-mail e WhatsApp, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço permanece aberto.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/funeraria-insistiu-com-familia-que-corpo-trocado-em-velorio-era-o-correto

