O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) cobraram do senador Flávio Bolsonaro (PL) um compromisso de liberar cerca de R$ 12 bilhões em recursos que estão parados na Casa Civil da Presidência da República. O pedido foi feito durante um café da manhã realizado na capital paulista, em meio às articulações políticas para a eleição presidencial.
Esse montante corresponde a empréstimos contraídos pelas administrações municipal e estadual junto a órgãos internacionais de fomento, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Para que a tramitação dos repasses seja concluída, é necessária a assinatura do governo federal, que atualmente está sob gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O encontro reuniu Flávio Bolsonaro, que foi oficializado candidato à Presidência pelo PL, além de Nunes e Tarcísio. Também participaram os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), bem como vereadores da base de Nunes e secretários municipais. A pauta principal foi o apoio à candidatura de Flávio, mas a questão dos recursos travados ganhou destaque.
Segundo relatos de participantes, Ricardo Nunes afirmou que cerca de R$ 4 bilhões referentes a empréstimos da prefeitura estariam há meses “parados” na Casa Civil. Em seguida, Tarcísio completou que o governo estadual enfrenta o mesmo problema, com pouco mais de R$ 8 bilhões bloqueados. A soma dos valores chega a aproximadamente R$ 12 bilhões.
A leitura do grupo é que há uma perseguição política do governo Lula a São Paulo, uma vez que tanto Nunes quanto Tarcísio são opositores declarados do petista. A demora na liberação dos recursos seria, na visão dos envolvidos, uma forma de retaliação às críticas feitas pelas autoridades paulistas.
Durante a conversa, Flávio Bolsonaro reforçou essa percepção e criticou o presidente. “É um presidente que se vinga de São Paulo por causa do prefeito. É um presidente que se vinga do estado de São Paulo por causa do governador”, disse o senador.
O imbróglio envolvendo os empréstimos internacionais não é novo. Prefeituras e estados frequentemente dependem da garantia da União para fechar contratos com bancos de desenvolvimento. A exigência de assinatura federal é uma etapa prevista em lei, mas atrasos podem comprometer obras e projetos de infraestrutura.
A cobrança pública feita por Nunes e Tarcísio ocorre em um momento de acirramento da disputa eleitoral. A convenção do PL que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro contou com a presença das duas autoridades, reforçando a aliança política em torno do senador. A expectativa é que, caso eleito, Flávio priorize a destrava dos recursos para São Paulo.
Procurados, o governo federal e a Casa Civil ainda não se manifestaram sobre o assunto. A reportagem tentou contato com a assessoria da Presidência, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/nunes-e-tarcisio-cobram-compromisso-de-flavio-para-destravar-r-12-bilhoes

