UrgenteMorte de corredor ativo após meia maratona em SP acende alerta para riscos silenciosos do coração
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São Paulo

Morte de corredor ativo após meia maratona em SP acende alerta para riscos silenciosos do coração

O corredor Júlio Barreto, de 50 anos, morreu após completar os 21 km da SP City Marathon. Especialistas explicam por que pessoas saudáveis podem sofrer morte súbita durante ou após exercícios.

Imagem mostra corredores no IbirapueraFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
2 de agosto de 202602:29
Atualizado agora há pouco às 05:29

O corredor Júlio Barreto, de 50 anos, morreu logo após concluir os 21 km da meia maratona da SP City Marathon, no dia 26 de julho, em São Paulo. O caso reacendeu o debate sobre os riscos da prática esportiva para pessoas aparentemente saudáveis.

Amigos e familiares afirmaram que Barreto sempre foi ativo, mantinha exames em dia e evitava excessos. Ele completou a prova em ritmo menos exigente do que o de participações anteriores, o que torna o episódio ainda mais surpreendente.

Segundo a médica Ana Paula Simões, da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), a principal causa de morte súbita relacionada ao exercício é a doença arterial coronariana. Nessa condição, placas de gordura entopem as artérias do coração.

A doença pode permanecer silenciosa por anos, sem sintomas e sem aparecer em exames de rotina, como o eletrocardiograma de repouso. No caso de Júlio, a suspeita é de aterosclerose severa, confirmada apenas por biópsia.

O professor da Unifesp Andrey Jorge Serra explica que não existe garantia absoluta de que uma pessoa esteja livre do risco. A incidência de morte súbita em corridas é baixa, cerca de dois casos por 100 mil praticantes. Para ele, isso reforça que a corrida é segura e benéfica para a saúde cardiovascular.

O fim da prova é um momento crítico. Durante o esforço, o corpo passa por mudanças intensas: o coração bate mais rápido, os vasos sanguíneos das pernas dilatam e a troca gasosa nos pulmões aumenta. Ao parar, o organismo precisa se reajustar rapidamente, o que pode desencadear arritmias.

O número de corridas de rua cresceu bastante após a pandemia. Só em 2026, estão previstos mais de 200 eventos no país, o que também aumenta a probabilidade de ocorrências fatais. Além disso, a repercussão nas redes sociais e na imprensa dá visibilidade imediata a casos como o de Júlio.

Para a médica da SBMEE, a percepção de que as mortes aumentaram reflete mais o crescimento do fenômeno das corridas do que o aumento real do risco individual. Ela reforça que corrida é esporte e esporte é saúde.

O alerta fica para quem não pratica exercícios: o risco de problemas cardíacos durante o esforço é maior em sedentários. O coração de quem treina regularmente desenvolve adaptações protetoras. No entanto, isso não significa que o sedentarismo seja mais seguro — a doença pode se manifestar até mesmo em repouso.

Especialistas recomendam que iniciantes procurem orientação médica antes de começar a correr, especialmente se houver histórico familiar de cardiopatias. A prática orientada reduz riscos e melhora a qualidade de vida.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/linha-de-chegada-por-que-pessoas-saudaveis-morrem-em-corridas

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