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São Paulo

Sarampo volta a circular em São Paulo e especialista reforça alerta sobre transmissão silenciosa

Com 23 casos confirmados, maioria sem vacinação completa, médico destaca que infectado pode transmitir o vírus antes dos sintomas.

Foto: Natalya Maisheva/Getty Images
Raphael Nogueira Felix
7 de agosto de 202615:31
Atualizado agora há pouco às 18:31

A cidade de São Paulo e municípios vizinhos voltaram a registrar casos de sarampo, reacendendo o debate sobre a necessidade de atualização da caderneta de vacinação. Até o momento, são 23 confirmações na região, sendo que 16 pacientes não tinham histórico de imunização ou estavam com o esquema incompleto.

As cidades com maior número de ocorrências são a capital paulista, São Bernardo do Campo e Guarulhos. Diante do cenário, o governo estadual ampliou a recomendação de vacina para todas as pessoas entre 6 meses e 59 anos que vivem nessas áreas.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas que se conhece. De acordo com Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações e presidente da Câmara Técnica para a Eliminação do Sarampo do Ministério da Saúde, o vírus pode ser transmitido antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas.

Kfouri explica que a transmissão ocorre por meio de gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar. As partículas virais podem permanecer no ar por horas, mesmo depois que a pessoa infectada deixa o local. Isso significa que não é preciso contato próximo para contrair a doença, o que aumenta o risco de propagação em espaços fechados.

O especialista ressalta que um único caso pode originar de 16 a 18 novos infectados entre pessoas não vacinadas. A alta taxa de transmissibilidade coloca o sarampo entre as enfermidades mais eficientes em se espalhar, superando até mesmo outras infecções respiratórias comuns.

Embora o Brasil tenha recebido em 2024 a certificação de zona livre de circulação do vírus, a chegada de viajantes de países com surtos ativos, como Bolívia, Argentina e Peru, trouxe o problema de volta ao território nacional. A circulação do vírus em outras nações aumenta o risco de importação de casos, principalmente entre quem não está com a vacina em dia.

A Secretaria de Estado da Saúde enviou 230 mil doses adicionais para reforçar a imunização. A orientação é que pais e responsáveis verifiquem a caderneta de vacinação das crianças e que adultos confiram se estão com o esquema completo, incluindo doses de reforço.

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é a principal ferramenta para evitar a disseminação da doença. Quem não tem certeza sobre o histórico vacinal deve procurar uma unidade de saúde para avaliação.

Especialistas lembram que a doença pode causar complicações graves, como pneumonia e encefalite, especialmente em crianças pequenas e adultos não imunizados. A recomendação é que, diante de sintomas como febre, manchas vermelhas no corpo, tosse e coriza, a pessoa procure atendimento médico e evite contato com outras pessoas.

A campanha de vacinação segue disponível nos postos de saúde das três cidades com maior incidência. A orientação das autoridades é que a população aproveite a oportunidade para atualizar a carteira de vacinação e contribuir para interromper a cadeia de transmissão.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/apos-23o-caso-medico-alerta-que-sarampo-pode-passar-antes-de-sintomas

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