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São Paulo

ONGs enfrentam desafios para localizar dependentes após dispersão da Cracolândia em SP

Profissionais de saúde e assistência social relatam dificuldades para dar continuidade ao tratamento de usuários de drogas na região central de São Paulo, um ano após a dispersão do fluxo.

foto colorida de dependentes químicos em cruzamento da Rua dos Protestantes com a Rua dos Gusmões, na CracolândiaFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
16 de agosto de 202602:55
Atualizado agora há pouco às 05:55

Um ano após a dispersão da Cracolândia, que acabou com as aglomerações de dependentes químicos a céu aberto na região central de São Paulo, profissionais de saúde e assistência social enfrentam novos desafios para atender essa população. Médicos, assistentes sociais e redutores de danos relatam que a pulverização do chamado “fluxo” dificulta a localização dos usuários, interrompendo tratamentos e acompanhamentos.

A ação de dispersão, iniciada em maio do ano passado, mudou a dinâmica da região. Em vez de um ponto fixo de concentração, os dependentes agora se espalham por diversas ruas e bairros do centro. Para as organizações não governamentais (ONGs) e equipes de saúde, encontrar essas pessoas se tornou uma tarefa complexa, que exige novos métodos de abordagem e busca ativa.

O principal impacto é a interrupção de tratamentos contra doenças como HIV e tuberculose, que exigem acompanhamento contínuo. Sem localizar os pacientes, os profissionais não conseguem garantir a adesão aos medicamentos, aumentando os riscos de agravamento dos quadros clínicos e de transmissão de doenças.

A dispersão também trouxe à tona relatos de abusos policiais e internações compulsórias, segundo apuração do Metrópoles. A cena aberta não desapareceu, mas se fragmentou, criando novos pontos de consumo em áreas antes não ocupadas. Essa situação torna o trabalho das equipes de redução de danos ainda mais essencial, mas também mais difícil.

Profissionais ouvidos pela reportagem afirmam que a falta de um espaço fixo de referência dificulta a criação de vínculos com os usuários. Muitos dependentes, que antes eram atendidos regularmente em tendas ou unidades móveis, agora estão dispersos e sem contato com os serviços de saúde. A busca ativa, que já fazia parte da rotina, tornou-se a principal estratégia, mas com resultados limitados.

A Prefeitura de São Paulo e o governo do estado, por sua vez, afirmam que o atendimento a essa população não foi afetado. Segundo as administrações, novas unidades de acolhimento e equipes de rua foram criadas para suprir as demandas. No entanto, os relatos dos profissionais de campo indicam que a realidade é mais complexa.

Especialistas em saúde pública alertam que a dispersão sem um plano robusto de acompanhamento pode agravar a situação de vulnerabilidade dos dependentes químicos. A falta de acesso a serviços de saúde, assistência social e moradia aumenta o risco de exclusão e de agravamento das condições de saúde.

Em meio a esse cenário, as ONGs que atuam na região central tentam se adaptar. Elas reforçam o trabalho de abordagem nas ruas, utilizam redes de contato entre os próprios usuários para localizar aqueles que sumiram e buscam parcerias com a rede pública de saúde. Ainda assim, a sensação é de que o problema está longe de ser resolvido.

A situação expõe a complexidade do enfrentamento ao crack e a outras drogas, que exige não apenas ações policiais, mas políticas públicas integradas de saúde, assistência social e habitação. Enquanto isso, os profissionais seguem na linha de frente, tentando minimizar os danos e garantir que ninguém fique para trás.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/dispersao-da-cracolandia-desafia-atendimento-de-ongs-a-dependentes

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