O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), voltou a se manifestar nesta segunda-feira (17/8) sobre a suposta abordagem da Polícia Militar ao motorista de sua campanha. Para o petista, há uma «inconsistência grave» no caso e é preciso analisar as câmeras corretas para esclarecer o que ocorreu na última semana.
Em declaração a jornalistas, Haddad afirmou que a investigação não pode se basear em imagens aleatórias. «Você pode investigar cem câmeras, mil câmeras. Nós estamos levando para o delegado quais as câmeras estão em local, estão instaladas e poderiam comprovar a narrativa do motorista», disse. Ele argumentou que uma câmera que não capta o momento exato não ajuda a esclarecer os fatos.
O candidato também criticou a demora na convocação do motorista para depoimento, que ocorreu quase uma semana após o episódio. Haddad falou em «inversão dos fatos» e reforçou que o funcionário ficou assustado com a suposta perseguição.
No domingo (16/8), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) havia dito que as análises de mais de 70 câmeras e do GPS das viaturas indicam que não houve abordagem. Para ele, o caso pode se tratar de falsa comunicação de crime.
«A gente está apurando isso com a maior responsabilidade do mundo porque se houvesse algum problema, algum desvio de conduta, a gente ia punir severamente. Mas tudo está mostrando que não houve absolutamente nada e se trata, no final das contas, de uma falsa comunicação», afirmou Tarcísio.
Segundo o governador, as imagens mostram que a viatura que passou pelo hotel onde o motorista estava não parou e seguiu para patrulhamento em outra rua. Ele afirmou que o GPS dos carros também foi verificado e que não há indícios de irregularidade.
A Polícia Civil e o Ministério Público Eleitoral investigam o caso. Se for comprovada a falsa comunicação de crime, o motorista pode ser enquadrado no artigo 340 do Código Penal, com pena de detenção de um a seis meses ou multa.
O episódio ocorreu na noite de terça-feira (11/8), quando o carro de Haddad teria sido acompanhado por uma viatura após o candidato ser deixado em casa. O petista disse acreditar em possível confusão, mas defendeu que as imagens certas sejam analisadas para dar transparência à apuração.
A divergência entre as versões de Haddad e Tarcísio deve marcar a reta final da campanha ao governo paulista. Enquanto o petista cobra rigor na investigação, o atual governador afirma que os dados já coletados apontam para a inocência dos policiais envolvidos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/haddad-tem-que-pegar-imagem-certa-de-abordagem-da-pm-a-motorista

