O motorista da campanha de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, prestou depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira (17/8) sobre a suposta abordagem policial ocorrida na semana passada. O depoimento foi colhido na 2ª Delegacia Seccional, na zona sul da capital paulista.
De acordo com informações obtidas pelo Metrópoles, parte do relato do motorista não coincide com a cronologia das imagens de câmeras de segurança divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). A divergência central envolve o horário em que o veículo teria deixado a Rua Joinville, na Vila Mariana.
No depoimento, o motorista afirmou que, após deixar Haddad em casa, seguiu para um hotel na Rua Joinville por volta das 21h58, por suspeitar de um segundo contato de uma viatura da Polícia Militar. Ele disse ter escolhido o local por causa da presença de câmeras de segurança.
Segundo o relato, ao estacionar, outra viatura da PM se aproximou e o ultrapassou. Os policiais teriam parado o veículo à frente e descido. Três deles ficaram na calçada, e um teria dito: «vaza». O motorista então teria contatado uma pessoa via WhatsApp, relatando que se sentia «monitorado».
O motorista afirmou que deixou a Rua Joinville por volta das 23h09. No entanto, as imagens divulgadas pela SSP mostram o carro estacionado às 21h58 e saindo do local às 22h26. A diferença de 43 minutos entre os horários é o principal ponto de divergência entre a versão do motorista e a cronologia oficial.
A SSP também sustenta que a viatura não parou, apenas passou lentamente pelo carro. Já o motorista declarou que os policiais estacionaram alguns metros à frente. A pasta afirma que mais de 70 câmeras foram analisadas para chegar à conclusão.
O depoimento também contradiz um relato anterior do próprio motorista. Antes, ele havia dito que, durante o período em que esteve estacionado, foi até os policiais para perguntar sobre o acompanhamento e foi mandado «vazar». No novo depoimento, a versão é diferente.
O governador Tarcísio de Freitas comentou o caso, afirmando que, com base na análise das imagens e do GPS, a hipótese é de falsa comunicação de crime. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer os fatos.
A campanha de Fernando Haddad ainda não se manifestou oficialmente sobre o depoimento. O caso ganhou repercussão política, e a oposição cobra transparência na apuração. A expectativa é de que novos esclarecimentos sejam divulgados nos próximos dias.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/motorista-de-haddad-da-depoimento-a-policia-e-versao-diverge-da-ssp

