UrgenteMãe relata que médico consultou Google durante atendimento de criança em Brodowski
← Voltar

Brodowski

Mãe relata que médico consultou Google durante atendimento de criança em Brodowski

Segundo a mãe, o profissional comparou imagens de manchas na pele do filho com resultados da plataforma antes de indicar antialérgicos; município investiga casos semelhantes.

Imagem colorida de criança com cataporaFoto: Iuliia Mikhalitskaia/iStock
Raphael Nogueira Felix
1 de outubro de 202620:20
Atualizado agora há pouco às 23:20

Uma mãe da cidade de Brodowski, no interior de São Paulo, relatou que um médico da rede pública consultou o Google três vezes durante o atendimento de seu filho de 8 anos, que apresentava manchas vermelhas e coceira pelo corpo. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.

Segundo o relato de Andrea, mãe do menino Daniel, a criança chegou da escola com os sintomas no início de setembro. Ela o levou imediatamente a uma unidade de saúde, onde o profissional demonstrou dúvida sobre o quadro clínico e decidiu pesquisar imagens na internet para comparar com as lesões na pele do paciente.

«Olha, vamos ver aqui no Google. Aí ele jogou lá e falou: não, mãe, a catapora é assim, catapora é diferente. E ninguém mais fica com catapora, porque tem vacina», contou a mãe ao portal. A situação teria se repetido mais duas vezes, com pesquisas sobre escabiose (sarna humana) e picada de inseto.

O médico teria descartado as hipóteses e receitado antialérgicos, mas os medicamentos não surtiram o efeito esperado. De acordo com Andrea, o filho levou cerca de 15 dias para se recuperar da coceira. «Estava eu e meu esposo, me passou muito a sensação de que ele não sabia. Ele estava pesquisando no Google porque não tinha ideia do que era», afirmou.

A Prefeitura de Brodowski foi procurada pela reportagem para comentar o caso, mas não havia se manifestado até a publicação da matéria. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.

Dados epidemiológicos atualizados do município indicam que 75 pessoas já foram atendidas nas unidades de saúde locais com sintomas semelhantes aos do menino Daniel. As causas e o diagnóstico da doença que afeta a cidade seguem desconhecidos pelas autoridades sanitárias.

Em nota, o presidente da Associação Paulista de Medicina (APM), Antonio José Gonçalves, destacou que o diagnóstico exige conhecimento específico, como avaliação clínica, histórico do paciente e interpretação criteriosa das informações disponíveis. Ele ressaltou que a ferramenta de busca não pode substituir a expertise profissional.

«O Google pode ser uma ferramenta de consulta, mas não pode substituir o médico. Informação encontrada na internet não é diagnóstico. A tecnologia deve apoiar a medicina, e não assumir o lugar do raciocínio e da responsabilidade do profissional», declarou Gonçalves.

O caso levanta discussão sobre os limites do uso de ferramentas digitais na prática médica e reforça a importância da avaliação clínica presencial. A reportagem não localizou o médico citado para comentar as acusações até o momento.

A Secretaria Municipal de Saúde de Brodowski não informou se há investigação interna sobre a conduta do profissional nem detalhes sobre a evolução dos atendimentos relacionados aos sintomas ainda sem diagnóstico definido.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mae-denuncia-medico-que-usou-google-para-pesquisar-diagnostico-de-crianca

Brodowskisaúde públicaatendimento médicodiagnósticoSão Pauloia-auto