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São Paulo

Justiça concede habeas corpus a empresário ligado a organização, mas prisão é mantida

Decisão do TRF-3 beneficia Rodrigo Morgado, apontado como operador financeiro de esquema, que segue detido por outros desdobramentos da investigação.

O empresário Rodrigo Morgado, o "contador do PCC"Foto: Reprodução
Raphael Nogueira Felix
17 de agosto de 202616:50
Atualizado agora há pouco às 19:50

A Justiça Federal concedeu, nesta terça-feira (17), um habeas corpus ao empresário Rodrigo Morgado, conhecido como «contador do PCC» ou «CEO do Jeep», que estava preso desde outubro de 2025 no âmbito da Operação Narco Bet, da Polícia Federal. A decisão, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), também beneficia o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, o Buzeira.

Apesar da decisão favorável, Morgado permanecerá preso em razão de desdobramentos da Operação Commodity, da qual também é alvo. A defesa do empresário, no entanto, celebrou o reconhecimento da desnecessidade da prisão preventiva no processo relacionado à Narco Bet.

O advogado Felipe Pires de Campos, que representa Morgado nesse processo, enviou nota ao Metrópoles afirmando que «a decisão representa um importante reconhecimento das teses apresentadas pela defesa, especialmente quanto à desnecessidade da manutenção da prisão preventiva». Na sequência, acrescentou: «Rodrigo seguirá respondendo ao processo normalmente, cumprindo rigorosamente todas as determinações impostas pelo Tribunal».

A defesa também declarou que recebe a decisão «com serenidade e respeito às instituições», reiterando confiança de que, ao longo da instrução processual, os fatos serão esclarecidos e a posição jurídica sustentada será demonstrada.

As investigações apontam que Morgado atuava como um «possível operador logístico-financeiro» do esquema, funcionando como um «verdadeiro banco particular» para outros investigados. Ele teria movimentado mais de R$ 313 milhões entre 2019 e 2024, incluindo transações com criptoativos que se aproximam de R$ 100 milhões.

Segundo a Polícia Federal, o empresário enriqueceu mais de R$ 7,5 milhões entre 2022 e 2023, com movimentações bancárias muito superiores aos valores declarados. Um dos pagamentos, de quase R$ 20 milhões, foi destinado à empresa Buzeira Digital, do influenciador Buzeira.

A PF também relaciona Morgado a uma embarcação chamada Veleiro Lobo IV, apreendida pela Marinha dos Estados Unidos entre Cabo Verde e as Ilhas Canárias, que estaria transportando mais de quatro toneladas de cocaína. Esse fato teria dado origem à Operação Narco Vela, que resultou na Narco Bet.

A operação segue em andamento, e as autoridades continuam investigando o suposto esquema de lavagem de dinheiro e financiamento de atividades ilícitas. A manutenção da prisão de Morgado por outros processos indica que a investigação ainda tem desdobramentos, e a defesa promete acompanhar cada etapa do processo.

O caso levanta questões sobre a complexidade das operações financeiras ilegais e a atuação de supostos operadores logísticos. As autoridades reforçam a importância de investigações aprofundadas para desmantelar redes criminosas que utilizam empresas e criptomoedas para movimentar grandes quantias.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-concede-habeas-corpus-a-contador-do-pcc-que-seguira-preso

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