O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva do tenente-coronel da reserva da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana. A decisão liminar foi assinada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca na última semana.
A defesa do oficial havia impetrado habeas corpus contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), alegando falta de fundamentação concreta para a prisão e destacando a colaboração do réu com as investigações e sua transferência para a inatividade. O ministro, no entanto, entendeu que a prisão é necessária para garantir a regular produção de provas.
No despacho, o relator apontou que o coronel, por ocupar posição elevada na hierarquia da PM e ter vínculo com testemunhas do caso, poderia interferir nas apurações. A corte citou ainda indícios de que o acusado teria adotado condutas para eliminar vestígios e alterar a cena do crime.
O caso ganhou novos contornos após a perícia da Polícia Civil descartar a hipótese inicial de óbito. Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo. Ela chegou a ser socorrida pelo helicóptero Águia da PM e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu.
O atestado de óbito apontou traumatismo cranioencefálico decorrente de disparo de arma de fogo. Desde então, o tenente-coronel foi preso e se tornou réu por feminicídio. A defesa do oficial insiste na tese de óbito, mas as investigações apontam para outra direção.
Na última sexta-feira (28/8), o interrogatório do réu foi adiado pela segunda vez. Previsto para aquela data, o depoimento foi remarcado para 8 de setembro, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista. O primeiro adiamento ocorreu em julho, após pedido da defesa para inclusão de laudo suplementar.
O caso também gerou repercussão por diferenças salariais: enquanto o coronel recebia cerca de R$ 28 mil, a soldado Gisele tinha renda de aproximadamente R$ 7 mil. A publicação no Diário Oficial que garante salário integral ao oficial durante o afastamento também foi alvo de críticas.
Familiares da vítima têm manifestado indignação. Em audiência, o pai da soldado afirmou que ela «queria viver» e rejeitou a versão de óbito. A mãe, em entrevista, classificou o coronel como um «verme» e disse que ele destruiu a família.
O caso segue em tramitação na Justiça de São Paulo, e a defesa do tenente-coronel afirma que ele colabora com as investigações. O STJ, no entanto, manteve a prisão preventiva, reforçando a gravidade das acusações e o risco de interferência nas provas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/prisao-tenente-coronel-pm-gisele

