Um agropecuarista de Araçatuba, no interior paulista, foi condenado pela Justiça após utilizar documentos e informações pessoais de uma ex-funcionária e do filho dela para obter financiamentos que ultrapassaram R$ 1,3 milhão. A sentença, proferida em segunda instância, estabeleceu pena de três anos e oito meses de reclusão, convertida em restrições de direitos.
Segundo os autos, Marcelo Gomes Stevanato compareceu a uma agência bancária em 2015 e solicitou a abertura de contas correntes e de poupança em nome das vítimas. Para isso, inseriu dados falsos sobre profissão, renda, patrimônio e endereço, além de colher assinaturas mediante artifício.
A empregada doméstica trabalhou para o réu em dois períodos: entre 2010 e 2011 e de 2014 a 2017. O processo aponta que o casal se aproveitou da confiança e da pouca instrução da trabalhadora para convencê-la de que mãe e filho serviriam como testemunhas na venda de um imóvel.
A fraude veio à tona quando o banco ajuizou ação de cobrança contra a funcionária e o filho, que desconheciam os contratos firmados em seus nomes. A investigação revelou que os valores obtidos foram usados para quitar dívidas do agropecuarista e de sua então esposa, além de custear despesas pessoais do casal.
Claudia Stefanini Xavier Stevanato, que participou das negociações, responde a processo em separado. A defesa dela não foi localizada até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
No julgamento do recurso, o desembargador Freddy Lourenço Ruiz Costa destacou que os depoimentos e as provas documentais foram suficientes para comprovar a autoria e a materialidade dos crimes de estelionato e falsidade ideológica. O magistrado ressaltou o 'intenso dolo' do acusado, que agiu com plena consciência da ilicitude ao enganar vítimas simples e que depositavam nele confiança.
A decisão foi unânime entre os integrantes do colegiado. Além da pena restritiva, o condenado deverá pagar às vítimas o equivalente a 50 salários mínimos, em valores corrigidos.
Casos como esse reforçam a importância de verificar regularmente o extrato bancário e o histórico de crédito, especialmente para pessoas que trabalham em residências ou em relações de subordinação. Especialistas orientam que qualquer movimentação suspeita seja comunicada imediatamente ao banco e às autoridades.
A reportagem tenta localizar a defesa de Marcelo Gomes Stevanato para comentar a condenação. Até o momento, não houve retorno.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pecuarista-dado-funcionaria-emprestimo

