O candidato do PDT à Presidência da República, Ronaldo Caiado, voltou a defender um modelo de atuação policial que, segundo ele, dispensaria o uso de armas de fogo em algumas situações. A declaração foi dada durante sabatina da CNN Brasil, em São Paulo, na quarta-feira (2/9), quando o político foi questionado sobre o uso de câmeras corporais por agentes de segurança.
Ao ser indagado sobre a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, Caiado afirmou que nunca presenciou policiais utilizando câmeras em cenários que classificou como campo de guerra. A ação, que terminou com mais de 120 mortos, é considerada a mais letal da história do estado.
“Eu nunca vi um campo de guerra policial e câmera, a menos que seja uma modernidade agora”, disse Caiado. Para o candidato, operações em áreas dominadas por facções têm características distintas de um policiamento convencional, e os agentes enfrentam criminosos com armamentos que, na visão dele, seriam superiores aos das forças de segurança.
A declaração ocorre em meio ao debate sobre o uso de equipamentos de videomonitorização nas corporações. O candidato afirmou que, se eleito, manteria os programas federais que financiam a instalação de câmeras, mas apenas para estados que desejarem utilizá-los.
Na sequência, Caiado defendeu uma mudança no modelo de policiamento e citou como exemplo a atuação de agentes em Londres, na Inglaterra. “Eu quero ter no Brasil um policial que tenha um cassetete e um apito. Igual lá na Inglaterra”, afirmou. Segundo ele, o objetivo seria permitir que o policial atue nas ruas sem necessariamente portar uma arma de fogo.
“Não precisa de arma. Ele ia estar com um apito e um cassetete”, completou. As falas do candidato geraram repercussão nas redes sociais, com apoiadores e críticos discutindo a viabilidade da proposta e a necessidade de equipamentos de proteção e monitoramento.
A Operação Contenção, que ocorreu nos complexos do Alemão e da Penha, resultou em 122 mortos, sendo 117 suspeitos e cinco policiais. O número elevado de vítimas levantou questionamentos sobre a conduta das forças de segurança e reacendeu o debate sobre o uso de câmeras corporais em ações de grande porte.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que as câmeras podem contribuir para a transparência e a apuração de eventuais excessos, mas ressaltam que a eficácia do equipamento depende de protocolos claros de uso e da análise dos registros.
Caiado, que disputa a Presidência pelo PDT, tem utilizado a pauta da segurança pública para marcar posição na campanha. A proposta de um policiamento com cassetete e apito, no entanto, foi recebida com ceticismo por parte de integrantes de forças de segurança, que apontam a necessidade de armamento em áreas de alta criminalidade.
Até a publicação desta reportagem, a assessoria do candidato não havia respondido aos questionamentos sobre como a ideia seria implementada na prática. O Metrópoles tenta contato com a equipe de comunicação de Caiado para esclarecer os detalhes da proposta.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/caiado-critica-uso-de-cameras-por-policiais-nunca-vi-em-campo-de-guerra

