Uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) aponta que André Weiss, que ocupava o cargo de número três na Secretaria da Fazenda do estado, teria participado de um esquema para ocultar valores recebidos como propina. A apuração faz parte da Operação Caldarium, deflagrada no início de setembro, que resultou na prisão temporária do ex-dirigente e no cumprimento de mandados de busca.
Segundo os investigadores, o esquema envolvia a liberação irregular de ressarcimentos de ICMS-ST, um tributo estadual. Weiss é apontado como um dos responsáveis por facilitar esses pagamentos indevidos, recebendo em troca quantias vultosas. A suspeita é que ele tenha recebido cerca de R$ 4,5 milhões em dinheiro vivo, o que teria motivado a necessidade de ocultar a origem dos recursos.
Para dar aparência lícita ao dinheiro, a investigação identificou que Weiss teria utilizado contas de familiares e empresas ligadas a ele. Um dos caminhos encontrados foi a conta do cunhado do ex-dirigente, que, apesar de declarar renda mensal de R$ 18,1 mil, movimentou R$ 12,2 milhões em um único banco entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
Do total movimentado pelo cunhado, cerca de R$ 3,6 milhões tiveram origem externa. Desse valor, R$ 1,96 milhão foi depositado em espécie, por meio de 334 transações fracionadas, o que, segundo o banco, dificultaria o rastreamento dos recursos. A instituição financeira comunicou o caso às autoridades, alertando para o padrão atípico das operações.
Entre as transações suspeitas, os investigadores encontraram uma transferência de R$ 200 mil feita por Weiss diretamente para a conta do cunhado. Também foram identificados repasses para empresas ligadas ao ex-dirigente, o que reforça a tese de que ele utilizava uma rede de pessoas e negócios para movimentar o dinheiro de forma oculta.
A investigação também teve acesso a um áudio registrado em julho de 2023, durante um almoço entre fiscais da Fazenda que são alvo de apuração. Na gravação, Weiss comenta a intenção de comprar uma sauna em São Paulo. Segundo ele, o local não serviria apenas para reuniões, mas também poderia ser usado para "lavar" dinheiro, evidenciando a preocupação em ocultar a origem dos valores.
A defesa de João André Buttini de Moraes, outro investigado, informou que está tomando conhecimento dos elementos da investigação e que prestará esclarecimentos assim que tiver acesso aos autos. O caso segue sob sigilo, e novas diligências podem ser realizadas para aprofundar o rastreamento dos recursos e identificar outros envolvidos no suposto esquema.
A Secretaria da Fazenda de São Paulo não comentou o caso até o momento. A operação Caldarium é mais um desdobramento das investigações sobre a chamada Máfia do ICMS, que já resultou em outras prisões e afastamentos de servidores públicos.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/ex-numero-3-da-fazenda-de-tarcisio-teria-discutido-como-lavar-dinheiro

